Protocolo orienta bares e eventos de Santos a acolher mulheres em risco

Iniciativa capacita profissionais para identificar situações de violência e oferecer atendimento seguro em estabelecimentos da cidade

Redação
Publicado em 06/06/2026, às 10h39

Cartazes do protocolo ‘Não se Cale’ orientam mulheres sobre formas discretas de pedir ajuda - Divulgação/prefeitura de Santos


Um gesto simples pode representar um pedido silencioso de socorro. Mão levantada com a palma voltada para fora, polegar dobrado e, em seguida, coberto pelos demais dedos. Conhecido internacionalmente como Signal for Help (Sinal para Ajuda), o movimento integra o protocolo 'Não se Cale', utilizado em Santos, no litoral de São Paulo, para auxiliar mulheres em situação de risco em bares, restaurantes, casas noturnas, festas e eventos.

Adotado no município desde 2023, o protocolo faz parte de uma iniciativa do governo do estado de São Paulo voltada à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher. A proposta inclui capacitação gratuita e on-line para profissionais que atuam nesses estabelecimentos, além da distribuição de cartazes informativos que devem permanecer visíveis ao público.

Em Santos, o trabalho de orientação é desenvolvido pelo Procon-Santos, órgão vinculado à Secretaria da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos (Semulher).



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Desde a implantação do programa, cerca de 50 estabelecimentos receberam orientações em 2025. Neste ano, outros 13 locais já foram atendidos.

O presidente do Procon-Santos, Sidney Vida, destacou a importância da preparação das equipes para lidar com situações de risco.



Durante as visitas e ações preventivas, orientamos sobre a importância de manter materiais informativos visíveis, capacitar equipes para identificar situações de risco e garantir acolhimento seguro às mulheres. Mais do que a placa, o fundamental é que os funcionários saibam agir corretamente em situações reais".

Como funciona o protocolo

O 'Não se Cale' permite que mulheres peçam ajuda de forma discreta quando estiverem em situação de ameaça, importunação ou violência. Ao reconhecer o gesto ou outro pedido de socorro, os profissionais treinados devem acolher a vítima, encaminhá-la para um local seguro e, quando necessário, acionar as autoridades competentes.

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Estabelecimentos adotam estratégias de acolhimento

No bairro Estuário, o Meu Lugar Bar utiliza uma estratégia complementar ao protocolo estadual. No local, mulheres podem solicitar um drinque fictício aos garçons. Ao identificar o código, os funcionários iniciam os procedimentos de acolhimento e proteção.



A informação fica disponível em cartazes afixados nas portas dos banheiros femininos.

O proprietário do estabelecimento, Gabriel Costa, explica que a prática já era utilizada antes da adesão ao programa.

Já utilizávamos a estratégia do drinque, mas, com a chegada do 'Não se Cale', conseguimos ampliar esse trabalho. Hoje, toda a equipe está treinada no protocolo oficial. Felizmente, nunca precisamos utilizá-lo, mas estamos preparados. É uma iniciativa muito importante, principalmente porque, infelizmente, a violência contra a mulher ainda é uma realidade nos dias de hoje".

Outro estabelecimento participante é o Seventy, no centro histórico. Segundo o proprietário Pedro Fujarra, a equipe mantém atenção constante aos sinais de desconforto demonstrados pelas clientes.



Ficamos atentos a qualquer sinal de desconforto, seja no olhar ou na linguagem corporal. Já tivemos uma situação em que percebemos isso e fomos até a mesa verificar. Uma das principais orientações que aprendemos na capacitação foi justamente acolher a mulher e levá-la para um local seguro, onde ela se sinta protegida e confortável".

Como buscar ajuda

Em situações de violência ou risco, vítimas e testemunhas podem acionar os seguintes canais:

Delegacia de Defesa da Mulher de Santos

Também é possível procurar a delegacia mais próxima.



Para orientação jurídica gratuita e apoio legal, o atendimento pode ser feito na Coordenadoria de Assistência Judiciária Gratuita e Orientação Jurídica ao Cidadão (Cadoj), localizado na rua General Câmara, 5, 14º andar, centro histórico. Telefone: (13) 3201 5632.

Além disso, os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) oferecem acompanhamento psicossocial e serviços de assistência às vítimas.

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