Além de passagens criminais por furto e violência doméstica, o suspeito fora preso em 2015 pela mesma prática criminosa na região
Redação
Publicado em 25/03/2025, às 15h18 - Atualizado às 15h19
Quem passa os finais de semana na praia do Balneário Tupy, em Itanhaém, no litoral de São Paulo, provavelmente não desconfiaria que um simples carrinho de sorvete fizesse parte de um 'ponto de tráfico ambulante', e que, entre uma venda e outra de sorvetes e bebidas, porções de drogas fossem comercializadas em plena luz do dia pela orla da praia.
O esquema foi descoberto por policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Itanhaém. Ao receber denúncias anônimas de comerciantes locais, insatisfeitos com a movimentação de usuários pela faixa de areia, os agentes começaram a investigar o "sorveteiro" pelas características passadas na ligação.
A Secretaria de Segurança Pública informou que a ideia inicial era captar os movimentos do suspeito por meio das imagens de drone, mas, como ele atuava entre um quiosque e outro, não foi possível o uso do equipamento. Foi aí que Luciano César, chefe de investigação da DIG de Itanhaém, teve um plano diferente do habitual. “Já me disfarcei de várias coisas ao longo da carreira, mas como um turista, de camiseta e bermuda, foi a primeira vez”, brinca o policial. O trabalho contou com mais dois investigadores: Anderson Henrique e Josué Roberto, que também se infiltraram disfarçados no meio dos banhistas.
A ação, na tarde de sábado (22), durou em torno de duas horas. Os dois policiais se posicionaram estrategicamente pela faixa de areia enquanto observavam o investigado. Em determinado momento, quando o suspeito estava em um quiosque servindo bebidas, um cliente chegou já dando dinheiro ao vendedor, que não pegou nada em seu carrinho.
O ambulante tirou algo da pochete, semelhante a um papelote de drogas, e entregou ao comprador. Nessa hora, os agentes fizeram a abordagem e houve a prisão em flagrante do "sorveteiro", de 44 anos, por tráfico de drogas. O outro homem prestou depoimento como testemunha e foi liberado.
De acordo com os investigadores, o acusado era uma figura conhecida na região. Foi constatado que, em 2015, ele já havia sido preso pela Polícia Militar utilizando o mesmo modus operandi para comercializar drogas no município. Ele também tem passagens criminais por furto e violência doméstica. Com o detido, os policiais civis apreenderam a pochete, uma máquina de cartão, um estojo de óculos, um celular, R$ 176 em espécie e 26 papelotes de maconha e cocaína.
Em atuação pela DIG, foi a primeira vez que César prendeu um traficante com essa estratégia, de usar um carrinho de sorvete para enganar a fiscalização. “Não é uma prática incomum, mas é muito difícil de você identificar”, disse o agente. O investigador conta que o papel da Polícia Civil em casos como esse é fundamental. “No dia a dia, é comum a gente andar com roupas que não chamam atenção para conseguirmos nos infiltrar no mesmo ambiente que o alvo”. O policial já se passou por morador de rua, comprador de imóveis e até por cliente de loja para prender os criminosos.
Em mais de 15 anos de atuação na corporação, o delegado titular da DIG de Itanhaém, Arilson Brandão, também afirma que nunca tinha visto algo parecido. "Vamos continuar as investigações para combater esse tipo de crime no município. Nossa presença será ainda mais constante", disse Brandão.
A Delegacia de Investigações Gerais de Itanhaém atende a qualquer tipo de crime, mas os mais comuns são relacionados a homicídios, latrocínios, roubos de carga e desaparecimento de pessoas. Denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio do Disque Denúncia 181 e o 190, da Polícia Militar.
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