Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária em Santos, Guarujá e na capital paulista
Rodrigo Florentino
Publicado em 10/09/2026, às 08h16
As cidades de Santos e Guarujá, litoral de São Paulo, foram alvos de uma operação na quarta-feira (9) contra colombianos suspeitos de integrar um esquema ilegal de empréstimos e lavagem de dinheiro por meio de agiotagem.
Ação da Polícia Civil, denominada Operação Bogotá, cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária nas duas cidades da Baixada Santista e em São Paulo. Segundo as investigações, o grupo movimentou R$52,5 milhões.
O homem alvo do mandado de prisão foi localizado em um quarto de sublocação na Ponta da Praia, em Santos. No local, os policiais apreenderam dois celulares e um notebook, enviados para perícia. As equipes também cumpriram buscas em endereços ligados ao investigado.
De acordo com a Polícia Civil, as apurações começaram em maio de 2026, quando a Delegacia Seccional de Polícia de Registro tomou conhecimento do caso. Ao todo, 41 envolvidos já foram identificados, e parte do grupo acabou presa em etapas anteriores.
A Polícia Civil identificou integrantes do núcleo financeiro da organização que atuavam em Campinas.
Parte dos investigados fugiu do país, mas dois acabaram localizados e presos na Colômbia após inclusão na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
O delegado seccional de Registro, Marcelo Freitas, disse: "Foi uma denúncia que nos permitiu identificar todo um esquema criminoso estruturado por trás do crime de agiotagem, que incluía, também, a lavagem de dinheiro. Conseguimos o bloqueio judicial dos bens dos investigados, porque não basta apenas identificá-los, temos que conseguir atingir todo o patrimônio obtido com o dinheiro ilícito".
O homem preso em Santos entrou em um restaurante da cidade e fotografou um magistrado com a família para fazer ameaças. O episódio ocorreu em agosto deste ano. A relação do suspeito com a organização surgiu após a perícia em aparelhos apreendidos na primeira fase da operação.
No celular de um investigado, os policiais acharam contatos diretos do suspeito e da mulher dele. O magistrado alvo das fotos proferiu decisões judiciais contra integrantes do bando, com ordens de quebra de sigilo e bloqueio de bens.
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O delegado seccional de Registro também explicou que as apreensões de celulares, computadores e documentos fundamentaram o aprofundamento das diligências.
Já o diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 6 (Deinter-6), Luiz Carlos do Carmo, detalhou a modalidade praticada: “A organização criminosa atuava por meio do esquema de 'gota a gota', que consiste na concessão de empréstimos informais com juros abusivos e cobrança de dívidas por meio de ameaças e violência”.
As apurações foram conduzidas pela Delegacia Seccional de Polícia de Registro, com apoio da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos.