Polícia apura rede de exploração infantil e automutilação em Santos

Ação da Polícia Civil cumpriu mandado na casa de adolescente de 15 anos; agentes investigam crimes cibernéticos e posse de materiais ilícitos

Redação
Publicado em 15/08/2026, às 15h49

Investigação da Polícia Civil apura crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes em Santos - Divulgação/Polícia Civil


Uma investigação da Delegacia da Infância e da Juventude (Diju) de Santos, com apoio do 2º Distrito Policial (DP) da cidade, resultou no cumprimento de mandado de busca e apreensão na manhã de sexta-feira (14). A ação integra uma apuração para esclarecer a atuação de um adolescente de 15 anos em ambientes virtuais associados a crimes contra crianças e adolescentes.

As investigações começaram com base em relatórios de inteligência compartilhados por organismos internacionais focados no combate à exploração sexual infantojuvenil na internet. Com a análise de dados telemáticos, rastreamento de conexões, movimentações financeiras eletrônicas e cruzamento de informações, os policiais identificaram a convergência de diferentes perfis para um alvo residente em Santos.

De acordo com as provas reunidas até o momento, os perfis investigados têm relação com a oferta, o armazenamento e o compartilhamento de material de abuso sexual infantil. Os agentes identificaram cerca de 100GB de imagens e vídeos de exploração sexual de menores. A corporação também apura possíveis práticas de aliciamento, perseguição digital (stalking), extorsão e incentivo à automutilação.



A atuação do adolescente investigado não se restringia ao compartilhamento de conteúdo ilícito. Os elementos analisados apontam o uso de múltiplas identidades digitais e táticas de manipulação psicológica no ambiente virtual. As condutas englobam práticas conhecidas como “lulz”, que incentivam comportamentos autodestrutivos, exposições de alto risco, sadismo e outras formas de violência direcionadas a menores.

As análises também detectaram vínculos entre as contas investigadas e chaves Pix associadas ao jovem. Os perfis publicavam apologia a crimes sexuais e praticavam doxxing, divulgação indevida de informações pessoais de terceiros na internet. Há também indícios de ligação com comunidades virtuais monitoradas por órgãos de investigação nacionais e internacionais, cujo alcance dependerá do resultado das perícias.

Durante o cumprimento da ordem judicial, os policiais civis fizeram buscas na casa do adolescente e apreenderam materiais relevantes para a investigação, entre eles, documentos manuscritos localizados no quarto do suspeito. Todo o material passará por perícia especializada.



O adolescente compareceu perante a autoridade policial acompanhado do responsável legal e deverá se apresentar à Promotoria da Infância e Juventude. A Polícia Civil ressalta que a análise do material apreendido pode contribuir para a identificação de novas vítimas, de possíveis colaboradores e do real alcance das atividades ilícitas.

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