Investigações colocaram a ilha na rota internacional de tráfico após apreensão de meia tonelada de drogas no interior de SP
Reginaldo Pupo
Publicado em 05/06/2026, às 09h00
Uma apreensão de 490,8 quilos de drogas feita pela PF (Polícia Federal) em Fernandópolis, no interior paulista, revelou que Ilhabela, litoral norte de São Paulo, integrava uma rota internacional de distribuição de drogas com destino à Europa.
A apreensão foi feita no aeroporto da cidade do interior. As drogas estavam acondicionadas dentro da aeronave. Após as investigações, a PF descobriu que a carga seria transportada por via terrestre até Ilhabela, de onde seria transportada até a Espanha, por meio do veleiro “Mobydick”, que iria cruzar o Oceano Atlântico e descarregar o entorpecente na cidade de Las Palmas.
A investigação levou à decretação da prisão preventiva de 10 suspeitos nesta terça-feira (2), entre eles, o sérvio Antun Mrdeza, o "Nikola Boros", apontado como integrante da máfia italiana 'Ndrangheta' aliada à facção paulista.
Segundo a investigação, o esquema tinha "elevada envergadura e especialização" e era dividido em três núcleos. O primeiro, baseado fora do país, era responsável pelo financiamento das operações e pelas decisões estratégicas do grupo. O segundo atuava no comando nacional da logística em território brasileiro, enquanto o terceiro reunia células operacionais encarregadas do preparo, armazenamento e transporte físico da cocaína.
A investigação da Operação Narco Sky teve origem em dados telemáticos compartilhados com a Polícia Federal por meio de cooperação jurídica internacional. As informações, obtidas com auxílio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, do Ministério da Justiça, foram submetidas a análise pericial da PF em São Paulo.
O desfalque gerado pela polícia em Fernandópolis teria provocado atritos e discussões internas entre os operadores nacionais do PCC e o capitão sueco responsável pela embarcação, o que forçou o bando a se reorganizar antes de conseguir zarpar.
A Operação Narco Sky mira os laços da facção brasileira com o sérvio Antun Mrdeza. Ele é apontado pelas autoridades como um dos líderes da máfia italiana Ndrangheta e membro de uma nova central global de comando do narcotráfico baseada na Colômbia. Mrdeza, que está preso na Venezuela desde maio de 2025, é acusado de financiar e comandar grandes remessas de cocaína da América do Sul para a Europa e a África.
Devido à sua periculosidade e à extensa rede de proteção armada, ele virou pivô de um impasse diplomático, já que o governo dos Estados Unidos tenta sua extradição para uma prisão de segurança máxima.
Além de colocar os nomes dos envolvidos na lista de procurados da Interpol, a 5ª Vara Federal de Santos determinou o bloqueio e o confisco de bens e valores dos investigados no limite de até R$ 631,8 milhões.
A ação da PF ocorre poucos dias após o governo americano classificar o PCC como uma organização terrorista, permitindo sanções financeiras internacionais severas contra a facção que utilizava o interior de São Paulo como rota para o tráfico mundial.