Operação no litoral de SP mira mandantes da execução do ex-delegado Ruy Ferraz

Nova fase da investigação cumpre mandados em Santos, Praia Grande e São Vicente, para desvendar origem e responsáveis por crime contra ex-delegado

Redação
Publicado em 29/09/2025, às 15h26

Ruy Ferraz Fontes foi executado quando saía da prefeitura de Praia Grande - Prefeitura de Praia Grande/Reprodução internet


Investigadores da Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços nas cidades de Santos, Praia Grande e São Vicente, em operação que integra apuração sobre a execução do ex-delegado geral Ruy Ferraz Fontes, assassinado no dia 15 de setembro. A ação visa coletar provas, identificar colaboradores e mapear possíveis mandantes.

Até o momento, quatro suspeitos foram presos e outros quatro permanecem foragidos, segundo a autoridade policial. Entre os detidos estão indivíduos apontados como responsáveis pela logística do crime, por transportarem armamento, ou auxiliar na fuga. As autoridades utilizam dados de rastreamento, perícias e interrogatórios para confrontar versões divergentes.

A investigação trabalha com múltiplas hipóteses: uma delas considera retaliação à atuação do ex-delegado em cargos públicos e investigações contra facções criminosas; outra aponta para crime com mando externo, possivelmente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A cúpula da Segurança Pública estadual afirma que não descarta qualquer linha investigativa até confirmação definitiva.



O delegado Ruy Ferraz Fontes foi o primeiro a investigar a atuação do PCC em São Paulo, no início dos anos 2000, e desempenhou papel central na transferência de líderes da facção para presídios federais de segurança máxima.

Entre os nomes, estava Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe da organização criminosa. Em 2019, após a remoção de Marcola para o sistema penitenciário federal, Ferraz foi jurado de morte pelo grupo.

Com mais de quatro décadas dedicadas à Polícia Civil paulista, destacou-se em áreas como homicídios, entorpecentes e crimes contra bancos, além de ter comandado diferentes divisões e chefiado a Delegacia Geral de Polícia do estado.



Fora da corporação, atuou como professor em universidades e na Academia de Polícia Civil (Acadepol). Em 2023, assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande, onde permaneceu em atividade até ser assassinado.

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