MPF pede condenação rigorosa de quadrilha que traficava para a Europa

Costa Norte
Publicado em 13/07/2015, às 09h30 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h48



O Ministério Público pediu a condenação de seis pessoas por tráfico internacional de drogas e associação criminosa, com indicação de agravantes para o aumento da pena. A quadrilha importava cocaína, sobretudo do Peru, para envio ao exterior, principalmente pelo porto de Santos

A requisição faz parte das alegações finais no processo penal contra integrantes da megaquadrilha desbaratada pela Operação Monte Pollino, em março de 2014. Em um ano de investigações, as autoridades apreenderam cerca de 1,3 tonelada de entorpecente que os traficantes tentaram remeter a terminais europeus, além de US$ 700 mil em espécie, que seriam usados para financiar as atividades ilícitas.

Os seis denunciados formam o núcleo principal da organização e estiveram comprovadamente envolvidos em pelo menos três dos vários episódios de tráfico. No primeiro deles, em janeiro de 2013, a quadrilha tentou enviar 44 quilos de cocaína para a Bélgica pelo porto de Munguba, na divisa entre o Amapá e o Pará. No mês seguinte, os envolvidos acondicionaram 174 quilos da droga em contêineres de um navio cargueiro que partiu de Santos, também com destino a um terminal belga. Nos dois casos, policiais interceptaram a carga e evitaram que a transação fosse concluída. Em julho daquele ano, antes mesmo que o carregamento fosse exportado, os agentes encontraram outros 20 quilos do entorpecente, que pertenciam ao grupo criminoso, em um depósito em Vitória do Jari, no Amapá.



A pena prevista pela Lei 11.343/06 para o crime de tráfico de drogas varia de 5 a 15 anos de prisão e multa, e para o de associação criminosa, de 3 a 10 anos e multa. No entanto, a transnacionalidade dos delitos, a natureza e a grande quantidade de entorpecente, e as consequências danosas dos ilícitos praticados são agravantes para a majoração da pena, segundo a procuradoria.

A quadrilha integra uma ampla rede criminosa, com ramificações em diversos países e ligações com a máfia italiana Ndrangheta, que opera na região da Calábria. Os integrantes já foram denunciados em cinco ações penais. Em uma delas, a Justiça Federal condenou o traficante Vinícius Alberto Caetano Lopes a oito anos e dois meses de prisão. Ele participou de uma tentativa frustrada de envio de 62 quilos de cocaína à Europa, em agosto de 2013. A droga estava na casa do réu, em Praia Grande. Na ocasião, Vinícius foi preso em flagrante.