Agentes já estavam afastados das funções; prisão temporária vale por 30 dias enquanto Polícia Civil investiga abordagem contra moradora grávida
Redação
Publicado em 22/08/2026, às 12h00
Três guardas civis municipais de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, foram presos temporariamente neste sábado (22) por suspeita de tortura física e psicológica contra uma mulher grávida durante uma abordagem. A medida foi determinada pela Justiça, a pedido da Polícia Civil e com parecer favorável do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Os três agentes já eram investigados e tinham sido afastados preventivamente das funções pela prefeitura. O caso ganhou repercussão depois da divulgação de um vídeo que mostra a mulher durante a abordagem e registra uma agressão.
Nas imagens, a mulher aparece conversando com um guarda municipal e participa de uma ligação telefônica com outra pessoa. No fim da chamada, ocorre uma interação entre essa pessoa e o agente, seguida pela agressão registrada no vídeo.
Segundo a investigação, os guardas teriam entrado na residência da mulher sem autorização judicial. A circulação das imagens nas redes sociais motivou a apuração da Polícia Civil sobre possível prática de tortura física e psicológica.
A Justiça determinou a prisão temporária dos três investigados pelo prazo de 30 dias. Na decisão, o juiz considerou que a permanência dos agentes em liberdade poderia comprometer o andamento das investigações.
O magistrado apontou indícios de possível influência funcional, tentativa de obtenção de depoimentos falsos e risco de intimidação da vítima ou interferência na produção de provas. Esses fatores foram considerados na decisão que autorizou as prisões.
Além da prisão temporária, a Justiça autorizou buscas em endereços relacionados aos investigados. Até o momento das informações fornecidas, não havia balanço sobre possíveis materiais apreendidos durante o cumprimento das medidas.
A prefeitura de Caraguatatuba informou neste sábado que dois dos investigados ocupavam cargos comissionados e foram exonerados. O terceiro é servidor efetivo e permanece afastado preventivamente enquanto responde a processo administrativo disciplinar instaurado para apurar os fatos.
De acordo com a nota enviada à imprensa, as medidas foram adotadas depois que a administração municipal tomou conhecimento das imagens divulgadas nas redes sociais.
O município afirmou que acompanha as investigações e não compactua com condutas irregulares praticadas por agentes públicos. A prefeitura acrescentou, ainda, que o processo administrativo disciplinar assegura o direito à ampla defesa e ao contraditório.
A Polícia Civil mantém a investigação do caso e o processo tramita sob segredo de Justiça. A reportagem não localizou os advogados dos três guardas presos; o espaço segue aberto caso queiram se manifestar.