Ré foi condenada por organização criminosa e associação para o tráfico; defesa apresentou recurso à Justiça e decisão ainda não é definitiva
Redação
Publicado em 30/08/2026, às 13h00
Uma mulher de 44 anos, apontada pela Polícia Civil como integrante do alto comando do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi condenada a 12 anos e três meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de organização criminosa e associação para o tráfico de drogas.
A sentença foi publicada na terça-feira (25) pela 4ª Vara do Foro de Itanhaém, na Baixada Santista. Ligia Sanches Moro, conhecida como “Loira” e “Malévola”, também foi condenada ao pagamento de 1.200 dias-multa, no valor mínimo legal.
Ela permanece presa e, segundo a decisão, deverá continuar no sistema prisional durante eventual recurso. A defesa apresentou razões de apelação na quinta-feira (27). Com isso, a condenação ainda não transitou em julgado e poderá ser analisada pela segunda instância.
Ligia foi presa em 12 de fevereiro deste ano durante uma operação da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém, vinculada ao Departamento de Polícia Judiciária do Interior 6 (Deinter-6).
Na ocasião, conforme noticiado pelo portal Costa Norte, a prisão ocorreu em um imóvel na rua Um, no bairro Guapurá, depois de semanas de investigação. A apuração policial buscava mapear conversas e terminais telefônicos relacionados à estrutura da organização criminosa.
Segundo a investigação, Ligia ocupava uma posição de articulação entre integrantes da facção em diferentes regiões. O material atual descreve a função como “Sintonia Final dos Estados”, enquanto as informações divulgadas na época da prisão utilizavam a denominação “sintonia geral dos estados”.
A denúncia atribuiu à mulher atividades relacionadas à coordenação de demandas internas, solução de conflitos e interlocução com integrantes da organização em diferentes estados.
Durante o cumprimento do mandado de busca, policiais apreenderam celulares, máquinas de cartão e cadernos com anotações manuscritas. Nas informações divulgadas na época da prisão, os cadernos teriam registros sobre divisão de tarefas, contatos operacionais, repasses internos e movimentações financeiras.
A Polícia Civil também apontou registros relacionados a integrantes da organização, estabelecimentos prisionais e comercialização de drogas na região do Guapurá.
O material apreendido foi encaminhado para análise pericial. Segundo as informações da investigação divulgadas à época, conversas extraídas dos aparelhos também teriam contribuído para sustentar a suspeita sobre o papel de articulação atribuído à investigada.
Antes da condenação, os advogados contestaram elementos utilizados no processo. Em abril, a defesa alegou, entre outros pontos, violação de domicílio, acesso indevido ao conteúdo de celular e quebra da cadeia de custódia das provas.
A defesa também sustentou que não havia elementos suficientes para demonstrar que Ligia integrasse naquele momento uma organização criminosa ou mantivesse vínculo estável com o tráfico de drogas. Mesmo com a condenação em primeira instância, a apresentação da apelação permite que a decisão seja revista pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.