Suposta golpista é acusada de utilizar dados de outras pessoas para anunciar aluguel de imóveis e receber transferências via PIX
Lucas Santos
Publicado em 12/07/2024, às 12h36
Golpes financeiros com anúncios de falsos alugueis, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Esta é a acusão que recai sobre uma mulher de 24 anos, que afirma ser inocente e alega estar sendo usada como "laranja", mesmo com quatro boletins de ocorrência terem sido registrados em seu nome - dois por estelionato e dois por tentativa. Entre as denunciantes, estão uma corretora de imóveis e a proprietária de um imóvel, na mesma cidade.
De acordo com o primeiro boletim de ocorrência registrado, a situação teria começado em 13 de maio, na Barra da Lagoa, quando uma corretora de imóveis alugou uma kitnet para a suposta golpista. De acordo com a denúncia, ela enviava comprovantes de trasferências via PIX para a corretora, porém, os pagamentos eram apenas agendados, e o dinheiro nunca era depositado. A corretora, que não quis se identificar, então, decidiu pelo despejo.
A partir de então, a acusada teria começado a usar dados que estavam no contrato de aluguel, para se passar pela corretora e anunciar imóveis pela internet. Uma outra mulher, de 32 anos, aparece no caso. Interessada em uma kitnet localizada no bairro Estufa II, a vítima teria conversado com a acusada, que cobrou R$ 950 no aluguel do imóvel. A suposta estelionatária teria enviado o contrato à vítima, que entrou em contato diretamente com a corretora, e descobriu se tratar de um golpe.
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Procurada pela reportagem, a corretora de imóveis confirmou os fatos e disse que, além dos golpes, a acusada a humilha quando tenta conversar. “Ela começou a falar que eu sou uma péssima corretora, que eu sou um lixo, que se eu fosse uma corretora mais responsável, isso não estaria acontecendo”, afirmou.
Desde o dia 1 de junho, a suposta estelionatária estaria em uma outra casa em Ubatuba, também de aluguel. A proprietária do imóvel afirma que já entrou com uma ordem de despejo, pois ela não teria pago nenhum dos aluguéis, com valor total de R$ 6 mil. No documento da ordem de despejo, a proprietária ainda anexou boletins de ocorrência de outras duas vítimas. Ambos os boletins a acusam de anunciar falso aluguel do imóvel onde ela está e, inclusive, uma das vítimas teria sofrido um golpe de R$ 1900.
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A dona da residência comentou sobre os problemas que vem tendo em decorrência da falta de pagamento do aluguel. “Eu nunca imaginei passar por isso. Com o aluguel que ela iria me pagar era para pagar meu aluguel onde estou hoje. E agora não tenho a renda da casa, as outras duas pessoas que tinham renda também de lá, estão sem renda. E eu tenho que pagar o financiamento da minha casa de Ubatuba e mais o aluguel daqui onde estou. Vendi todos os meus móveis da casa”, disse ela.
Procurada pela reportagem, a mulher informou que estaria sendo usada como “laranja” e que outras pessoas estariam por trás dos crimes. “São dois. Me chamaram para trabalhar com eles, só para conversar com clientes, depois disso tentaram sublocar a casa que eu estava; foi aí que eu descobri que estava sendo feita de laranja. E estou pagando o preço como se eu tivesse feito. Até pagar algumas pessoas que foram prejudicadas, tive que pagar. Entrei com uma advogada a respeito disso”, explicou.
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Já a advogada da acusada informou que, no momento, não pode dar esclarecimentos sobre os casos, mas que ela e sua cliente já entraram com ação na Justiça. "Nós já entramos com uma ação por difamação e danos morais contra a pessoa principal, que está promovendo toda a situação", disse ela.
No total, quatro boletins de ocorrência foram registrados; dois de estelionato e dois de tentativa de estelionato. O caso corre na Justiça.
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