Costa Norte
Publicado em 07/07/2017, às 12h39 - Atualizado em 23/08/2020, às 16h02
Morador do bairro Vista Linda, Antonio Fluxen foi vítima de assalto a mão armada em sua própria casa, no dia 5 de maio. "Eles entraram na minha casa às 8h30 da manhã. Renderam minha esposa e eu. Ficavam dizendo 'tudo é nosso', como se fosse a casa deles, e ainda me chamaram de vagabundo. Não aguento mais essa violência", lamentou.
O desabafo foi feito durante uma reunião do Conseg, na noite de quinta-feira, 6, na sede da Associação Nossa Senhora de Fátima, no bairro Vista Linda (rua Luis Otávio, 205). O presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública, Udo Stellfeld, reuniu o comandante da Polícia Militar em Bertioga, tenente Cemin; o secretário municipal de Segurança e Cidadania Taciano Goulart; e representantes da sociedade civil para debater problemas e soluções para a segurança pública do município.
O tráfico de drogas no entorno da Escola Estadual Jardim Vista Linda também preocupa os moradores. "A diretora da escola já andou conversando com a gente, já liguei pra polícia no 190. Eles vieram, quase pegaram o pessoal no flagra. A coisa tá acontecendo, mas não conseguimos fazer nada para impedir", explica o aposentado Expedito Antonio dos Santos.
Para o comandante Cemin, a grande dificuldade da PM, hoje, é a falta de efetivo. "O município cresceu muito nos últimos anos e a nossa estrutura é a mesma. Trabalho, hoje, com cerca de 15 policiais por dia, cumprindo escalas diferentes. Tenho 85 policiais no total, mas alguns estão de férias ou com restrição, por isso, tenho 15 por dia. A gente não consegue cobrir tudo o tempo inteiro, essa é a nossa realidade". Em relação às escolas, o comandante explicou que tem um programa de ronda escolar com apenas uma equipe durante todo o dia. "Essa equipe participa do Proerd e orienta. Mas é um trabalho de formiguinha. Não conseguimos fazer isso em todas as escolas porque são muitas e a nossa condição não permite".
O secretário de Segurança e Cidadania destacou a defasagem e atraso na segurança pública em Bertioga. Segundo Taciano, a Guarda Civil Municipal (GCM) também é escassa e precisa de melhor estrutura. "Hoje, se tivermos 10 GCM's por dia é muito", alegou. Uma das soluções apontadas pelo secretário é a implantação de monitoramento por câmeras de segurança.
O projeto foi estudado em 2013, mas não teve sequência devido ao alto custo: R$ 2 milhões para a implantação de 38 câmeras. O conceito do secretário é diferente. "Nossa ideia para o sistema básico (30 câmeras iniciais) é pelo sistema de comodato, como se fosse um aluguel. A gente cede espaço e a empresa implanta câmeras e equipamentos de monitoramento. O custo é muito mais baixo e vai sair do Fundo Municipal de Trânsito (Fumat)", explica. O projeto ainda está em elaboração.
Marina Aguiar
Foto: JCN