Projeto Não se Cale vai à Escola prevê treinamento de professores, palestras com delegadas e filtros de monitoramento no sistema Conviva-SP
Redação
Publicado em 16/06/2026, às 10h29
O governo de São Paulo lançou, na segunda-feira (15), o protocolo Não se Cale vai à Escola, iniciativa direcionada à prevenção e ao enfrentamento da violência contra mulheres e meninas no ambiente escolar. O lançamento ocorreu durante a entrega da escola estadual Roberto Burle Marx, em São José dos Campos, com reflexos estruturais previstos para as unidades de ensino do litoral paulista.
O evento contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas, da secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, e de representantes das Secretarias da Educação e da Segurança Pública. Desenvolvido de forma conjunta pelas três pastas, o programa leva para a rede estadual os princípios do protocolo Não se Cale, já em vigor em bares, restaurantes e casas noites, para expandir as ações de orientação e proteção às vítimas.
O governador Tarcísio de Freitas destacou a importância da cooperação entre as pastas para agilizar as respostas do Executivo:
Estamos fortalecendo a rede de proteção às mulheres e meninas com mais um canal de escuta, acolhimento e orientação. Essa parceria entre secretarias amplia a capacidade do Estado de identificar situações de violência e agir de forma rápida e coordenada. É um trabalho que já apresenta resultados concretos e que agora chega também ao ambiente escolar”.
O projeto possui duração prevista de 24 meses e abrange todo o estado. As metas incluem a formação de profissionais da educação, ações de sensibilização com estudantes, palestras presenciais com delegadas de polícia e o aprimoramento da plataforma Conviva-SP. O sistema contará com filtros específicos para o registro e o monitoramento de ocorrências de violência doméstica, familiar e feminicídio.
A secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, apontou o papel do ambiente escolar na formação social e na identificação de abusos: “A escola é um dos espaços mais importantes para a construção de uma cultura de respeito e não violência. Com o Não se Cale vai à Escola, vamos preparar profissionais da educação para reconhecer sinais, acolher com responsabilidade e encaminhar situações de violência para a rede de proteção. É uma ação que une prevenção, formação e cuidado, colocando o estado mais perto de mulheres e meninas”.
O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, ressaltou a necessidade de interromper ciclos de agressão por causa de medidas preventivas: “Combater o violência contra mulheres e crianças também passa pela prevenção. Ao levar o protocolo Não se Cale para as escolas, estamos fortalecendo a capacidade de identificar sinais de abuso, acolher vítimas e interromper ciclos de violência antes que eles resultem em consequências ainda mais graves. A informação e a conscientização são ferramentas fundamentais para salvar vidas”.
A capacitação dos profissionais ocorrerá na modalidade a distância (EAD). O curso abordará temas como a Lei Maria da Penha, a identificação de sinais de abusos, a escuta qualificada e os fluxos de encaminhamento para os órgãos de proteção. Professores, gestores escolares e equipes administrativas atuarão como multiplicadores do conhecimento nas unidades.
Policiais civis especializados, com prioridade para profissionais das Delegacias de Polícia de Defesa da Mulher (DDMs), conduzirão palestras presenciais nas escolas em períodos de mobilização. Para os estudantes, principalmente do ensino médio, as secretarias disponibilizará conteúdos didáticos sobre direitos das mulheres e canais de denúncia.
O secretário de Educação, Renato Feder, enfatizou a relevância do debate na formação cidadã dos estudantes:
Os números da violência contra a mulher reforçam a necessidade de atuação de toda a sociedade e a escola é um espaço muito importante para promover conscientização, prevenir comportamentos violentos e orientar estudantes sobre respeito, cidadania e direitos. O Protocolo Não se Cale vai a Escola fortalece nossa capacidade de acolhimento e encaminhamento, além de ampliar a rede de proteção às meninas e mulheres. Não podemos naturalizar a violência. Precisamos enfrentá-la com informação, educação e ação”.
O programa prevê o compartilhamento bimestral de dados entre as pastas e a elaboração de relatórios anuais de impacto. A ação integra o movimento estadual São Paulo Por Todas, focado em dar visibilidade a políticas públicas femininas e promover a autonomia financeira em todo o estado.