Decisão dos EUA de classificar facções como terroristas entra em vigor nesta sexta (5)

Medida norte-americana classifica grupos criminosos do Brasil como terroristas; Palácio do Planalto teme impactos na soberania e economia

Redação
Publicado em 05/06/2026, às 11h09

Facção PCC atua em São Paulo desde sua fundação em 1993 - Reprodução/Agência Brasil


Entrou em vigor nesta sexta-feira (5), a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar facções criminosas do Brasil como organizações terroristas.

A medida, anunciada em 28 de maio, gera preocupações no governo brasileiro e, entre especialistas, por possíveis consequências geopolíticas e econômicas para o país. O Palácio do Planalto criticou a ação, sob o argumento de que a classificação abre margem para que Washington interfira em assuntos internos com a justificativa de combater o terrorismo.

Para o governo brasileiro, o enfrentamento ao crime deve ocorrer por meio da cooperação internacional, com respeito à soberania dos Estados sobre seus territórios. Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliam que a iniciativa tenta limitar a soberania nacional e pode servir de pretexto para intervenções estrangeiras diretas.



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Além das questões diplomáticas, há o temor de prejuízos para a economia brasileira. Os impactos podem atingir setores como turismo, comércio exterior, sistema financeiro e atração de investimentos.

Taxação e críticas ao Pix

Quatro dias após o anúncio sobre as facções, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA recomendou à Casa Branca a aplicação de uma taxa de 25% sobre as importações brasileiras, sob a alegação de práticas comerciais desleais.



O documento norte-americano também fez críticas diretas ao sistema Pix. Segundo os estadunidenses, a ferramenta de transferência brasileira prejudica empresas de pagamento do país, como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay.

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No dia seguinte às críticas ao Pix, o governo de Donald Trump informou a intenção de aplicar tarifas adicionais de 10% a 12,5% sobre importações de 60 países, grupo que inclui o Brasil. A justificativa apresentada seria coibir o comércio de produtos fabricados com trabalho forçado.



Resposta do Itamaraty

O governo brasileiro contestou as justificativas e declarou que as medidas servem para mascarar ações protecionistas unilaterais. O Itamaraty destacou que o Brasil pode recorrer à Lei de Reciprocidade, instrumento legal que autoriza o país a aplicar medidas comerciais contra nações ou blocos que imponham barreiras aos produtos nacionais no mercado global.

Escudo das Américas

O atual governo dos EUA já aplicou a designação de terroristas a cartéis mexicanos e a organizações criminosas da Venezuela, Equador e Colômbia. Em março deste ano, a Casa Branca formou o chamado Escudo das Américas.

A coalizão reúne países alinhados ideologicamente a Washington para combater o narcotráfico e afastar a influência econômica de adversários geopolíticos, como China e Rússia.



A justificativa do combate ao narcotráfico foi usada anteriormente pelos Estados Unidos para sequestrar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e para pressionar o México. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, denunciou as ações recentes como interferência estrangeira em assuntos internos de seu país.

* Com informações da Agência Brasil

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