Cratera e carros soterrados agravam o embate sobre prédio em São Vicente

Acúmulo de lama impede o uso do subsolo e causa prejuízos desde 2020; impasse judicial discute a responsabilidade estrutural

Redação
Publicado em 18/08/2026, às 10h20

Subsolo de prédio acumula areia e veículos soterrados após inundações sucessivas - Reprodução/TV Cultura Litoral e Vale


O acúmulo de lama e a destruição no subsolo do edifício Solaris transformaram a rotina dos moradores de São Vicente, no litoral paulista. Embora os problemas estruturais e as disputas judiciais se arrastem desde 2020, uma nova inundação ocorrida há seis meses agravou a situação, deixou veículos soterrados e abriu uma nova cratera na região.

No subsolo do prédio, carros, motocicletas e bicicletas permanecem completamente cobertos por areia desde o temporal de março deste ano. A manutenção da área alagada e a retirada da água exigem esforços diários dos condôminos, que já enfrentaram perdas semelhantes no passado.

O impacto da água em 2020, por exemplo, chegou a arrancar as portas de três elevadores, o que deixou os moradores sem o serviço por 15 dias.



Do lado de fora, a situação afeta o entorno e traz à tona um histórico trágico. Em março de 2020, as fortes chuvas na Baixada Santista abriram uma cratera de três metros no chão do banheiro de uma clínica de repouso vizinha ao edifício. O desmoronamento causou a morte do idoso Moises Elias Neto, de 86 anos, que foi soterrado no local.

Agora, com a abertura do novo buraco, há seis meses, o morador Cézar Matiussi alerta para o risco de o problema atingir a avenida Marechal Deodoro, via de grande circulação da cidade. "Com essa ameaça à via central, passa a ser um problema público, um problema da prefeitura", pontua, ao responsabilizar também a construtora do imóvel.

Batalha na Justiça

A busca por soluções tramita nos tribunais com processos que chegaram até o Supremo. A síndica profissional Mariana Bueno relembra as medidas tomadas desde as primeiras inundações. "Tivemos que entrar com um processo judicial que se prolongou durante três anos", relata a representante, que cita a cobrança de ações da prefeitura, do Ministério Público e da construtora.



Por outro lado, a empresa responsável pela obra nega falhas estruturais. Em vídeo, o advogado da construtora, Rafael Martins, afirma que o Tribunal de Justiça já avaliou o caso. "A erupção do solo decorreu em razão de um grande vazamento de água do imóvel vizinho", justifica o defensor, ao ressaltar que a Sabesp executou o reparo na tubulação após o incidente.

Enquanto o impasse jurídico sobre as responsabilidades continua, os moradores lidam com os prejuízos recentes no subsolo e aguardam medidas definitivas do poder público para a segurança estrutural e viária da região.

*Com informações da jornalista Letícia Sanvez, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral e Vale.



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