Bebê de 11 meses é morto espancado em Praia Grande; mãe e padrasto são presos

Casal fugiu do pronto-socorro após confirmação da morte, na noite de segunda-feira (9); ambos foram encontrados em uma casa no bairro Glória

Rodrigo Florentino
Publicado em 10/03/2026, às 11h28

Criança chegou a ser levada para o Pronto-Socorro Central - Reprodução/Prefeitura de Praia Grande


Um bebê de 11 meses morreu na noite de segunda-feira (9) após ser vítima de agressão em Praia Grande, no litoral de São Paulo.

Segundo o boletim de ocorrência, o bebê, que tinha hidrocefalia e desvio na coluna, deu entrada na unidade hospitalar com parada cardíaca e traumas no rosto.

A mãe, de 30 anos, e o padrasto, de 38, foram presos em flagrante, com conversão para prisão preventiva.



De acordo com o B.O., policiais militares foram acionados via Copom, por um funcionário do Pronto-Socorro Central, que informou que o bebê deu entrada na unidade com parada cardíaca e traumas no rosto (hematomas e sangramento), indo a óbito. 

Após o atendimento médico, o casal fugiu da unidade. Em buscas, com o apoio do monitoramento municipal, ambos foram localizados na residência onde moravam, na rua Jorge Tavares Quintas, no bairro Glória.

O que diz a mãe

Segundo o boletim de ocorrência, em entrevista informal, a mãe afirmou ter tomado um remédio de uso controlado e dado o mesmo ao bebê, alegando não se lembrar se agrediu ou não o filho. Já no depoimento oficial, ela disse que a criança estava agitada há três dias e, por isso, deu a ela um sedativo para dormir.



Na sequência, a mãe afirmou que bateu a cabeça do bebê ao colocá-lo no carrinho, após a criança ter "fechado a mão para bater no padrasto”, o que a fez perder o controle. Ela disse ter levado o bebê ao médico por “achá-lo estranho”. Disse ainda que estava sob efeito de um medicamento que tomava por conta própria para aliviar dores.

Caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande - Reprodução/Prefeitura de Praia Grande

 

O que diz o padrasto

O padrasto relatou que o bebê chorava muito e que, por ser portador de hidrocefalia, passaria em breve por uma segunda cirurgia. Ele afirmou que foram ministrados “dez remédios” em um intervalo de sete horas, pois a criança não se acalmava. Segundo ele, a mãe falava: “Faz esse menino calar a boca, coloca a mão na boca dele”.



Ele admitiu ter colocado a mão na boca da criança, mas alegou ter retirado em seguida porque o bebê ficou sem ar. O homem disse ter sugerido levar a criança ao médico, mas a mãe insistiu que o filho iria dormir e se acalmar.

O padrasto afirmou ter visto a mulher desferir tapas no braço do filho, mas negou ter visto outras agressões por estar mexendo no celular.

Já no pronto-socorro, sua companheira teria lhe chamado e dito que “não aguentava mais ficar ali”; ele disse para ela conversar com a equipe médica e resolverem, “senão eles iriam atrás de nós”.



Segundo ele, a mãe lembrou que o posto não tinha seu telefone nem endereço; disse que retrucou que os dois deveriam se responsabilizar pelo ocorrido “porque ele morreu”, entretanto a mãe estaria com medo. 

Histórico de brigas

Uma pessoa afirmou presenciar brigas constantes do casal e gritos da mulher. Relatou também que o imóvel estava em situação precária de higiene, com lixo e presença de ratos. No dia do crime, ouviu gritos da mulher devido a agressões do companheiro.

O caso foi registrado como homicídio qualificado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande.



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