Vacinação abaixo de 95% favorece transmissão de sarampo em São Paulo

Cobertura vacinal em torno de 75%, na capital paulista, aumenta o risco de transmissão de sarampo, que exige índices acima de 95%

Redação
Publicado em 11/08/2026, às 10h36

Especialistas alertam que vacinação e vigilância ativa são fundamentais para evitar novos surtos da doença em São Paulo - Marcelo Camargo/Agência Brasil


A concentração de casos de sarampo em São Paulo reforça o risco de novos surtos, enquanto a cobertura vacinal permanecer abaixo de 95%, índice considerado necessário para interromper a transmissão da doença.

Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações e presidente da Câmara Técnica para a Eliminação do Sarampo do Ministério da Saúde, a entrada de novos casos na capital paulista é esperada devido ao grande fluxo diário de pessoas vindas de diferentes regiões do Brasil e do exterior.

O especialista explica que o ciclo da doença dura cerca de 20 dias, incluindo o período de incubação, o início dos sintomas e a fase de transmissão.



Vacinação e vigilância

Kfouri afirma que pessoas com esquema vacinal completo não se tornam transmissoras do sarampo. Já quem não recebeu todas as doses permanece suscetível à infecção e à transmissão do vírus, que se espalha por gotículas eliminadas durante a fala, tosse e espirro.

Além da vacinação, a vigilância epidemiológica é considerada um dos pilares para manter o controle da doença. Ações incluem identificação rápida dos casos, isolamento dos pacientes e vacinação dos contatos próximos.

O infectologista destaca que bairros ou comunidades com índices mais baixos podem funcionar como bolsões vulneráveis, favorecendo o surgimento de novos surtos.

O texto também aponta que estratégias de reforço vacinal ampliam a proteção coletiva, alcançando pessoas que eventualmente não completaram o esquema ou que não desenvolveram imunidade adequada após as doses anteriores.

Casos na Grande São Paulo

Dos 24 casos confirmados nesta temporada, 23 ocorreram na Grande São Paulo. Houve registros importados e também transmissão dentro de grupos e comunidades.

Na zona norte da capital, foram identificados sete casos na Vila Medeiros e dois na Vila Maria, bairros próximos entre si, tendo uma escola de educação infantil como principal cenário de transmissão.

Pelo menos um dos casos registrados em Guarulhos está relacionado a esse grupo. Crianças menores de um ano, que ainda não recebem a vacina contra o sarampo, representam a maior parte dos infectados e hospitalizados.

A prefeitura de São Paulo confirmou anteriormente casos importados da Bolívia e da Guatemala. Segundo o infectologista, a transmissão ocorre principalmente entre pessoas não imunizadas, seja por ausência de vacinação ou por esquema incompleto.

Rede de saúde em alerta

De acordo com Kfouri, as equipes de saúde estão capacitadas para reconhecer os sintomas do sarampo, os testes diagnósticos estão disponíveis na rede pública e as ações de vigilância têm sido executadas em tempo adequado.

O especialista ressalta que a combinação entre vacinação ampla e vigilância ativa continua sendo a principal estratégia para impedir a propagação de sarampo no estado.

* Com informações da Agência Brasil

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