A síndrome do tédio no ambiente profissional pode causar insônia, baixa imunidade e dores musculares; entenda os sintomas
Redação
Publicado em 07/07/2025, às 10h34
Um alerta silencioso ganha espaço nas discussões sobre saúde mental no ambiente de trabalho: a síndrome do boreout. Diferente do burnout, que está ligado à sobrecarga e esgotamento, o boreout surge da falta de estímulo. Tédio constante, desmotivação e sensação de inutilidade são alguns dos sinais que, muitas vezes, passam despercebidos.
O tema foi abordado em matéria de Analice Candioto, no Jornal da USP, com contribuições da psicóloga Geovana Figueira Gomes e do pesquisador Rafael Piva de Souza, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Neurociências e Comportamento do Instituto de Psicologia (IP) da universidade. Eles explicam que, quando não identificada, a condição pode gerar consequências físicas, como dores musculares, insônia, estresse prolongado e baixa imunidade.
O boreout costuma afetar trabalhadores em ambientes com pouca exigência ou atividades repetitivas. Sem desafios, metas ou reconhecimento, o colaborador tende a fingir estar ocupado, o que aprofunda o sentimento de frustração. É um ciclo silencioso que compromete o bem-estar.
Apesar de ainda não ser classificada oficialmente em manuais como o CID ou o DSM, a síndrome do tédio já mobiliza pesquisadores por seu impacto prático. A solução pode estar no diálogo aberto com gestores.
Entre os principais sinais que podem indicar a presença da síndrome do boreout, Rafael Piva de Souza destaca sintomas muitas vezes negligenciados no dia a dia. “Uma sensação de tédio constante, desmotivação, fingir estar ocupado, tristeza e uma vontade frequente de mudar de emprego” são alguns dos primeiros indícios relatados.
Além disso, o problema pode evoluir e afetar também o corpo. “Fadiga um pouco mais crônica, dores musculares nos ombros e pescoço, questões relacionadas ao sono, baixa imunidade e estresse prolongado”, afirma o pesquisador. Esses efeitos físicos reforçam a importância de identificar o problema logo no início.
Para a psicóloga Geovana Figueira Gomes, é essencial que o ambiente de trabalho esteja aberto a conversas francas. “Cuidar da saúde mental é um benefício para ambos os lados, tanto para o indivíduo quanto para o empregador”. Ela sugere mudanças na rotina, redirecionamento de tarefas e, em casos mais graves, a busca por apoio profissional.
A psicoterapia é uma das ferramentas mais eficazes nesse processo. Segundo Piva, há também opções gratuitas e acessíveis, como os atendimentos do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), clínicas-escola de universidades e o suporte oferecido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo número 188. Algumas empresas, inclusive, já oferecem programas internos voltados ao bem-estar dos colaboradores.
Identificar e agir diante dos primeiros sinais é fundamental para evitar que a apatia se transforme em um quadro crônico de sofrimento emocional. O tédio, quando ignorado, deixa de ser inofensivo. E pode, silenciosamente, desgastar muito mais do que se imagina.
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