Testes em humanos poderão começar até final do ano, disse equipe de cientistas responsável por estudo
Da redação
Publicado em 24/03/2022, às 16h50 - Atualizado às 16h58
Cientistas da Universidade de Minnesota (EUA) anunciaram nesta quarta (23) terem desenvolvido uma pílula anticoncepcional masculina que apresentou eficácia de 99%, sem efeitos colaterais, em testes com camundongos. A próxima etapa do estudo, os testes com humanos, devem ser realizados até o final deste ano.
A descoberta, chefiada pela pesquisadora Gunda Georg, que também comanda o departamento de química medicinal da universidade, terá seus detalhes divulgados até junho em uma reunião semestral da American Chemical Society.
A expectativa é de que os resultados evoluam para a produção de um contraceptivo masculino, esperado desde que a pílula anticoncepcional feminina foi aprovada na década de 1960. Atualmente, os métodos contraceptivos mais eficazes para homens são preservativo e vasectomia – cuja cirurgia reversível é cara e nem sempre eficaz.
"Vários estudos mostram que os homens estão interessados em compartilhar a responsabilidade contraceptiva com suas parceiras", disse à France Presse o doutor Abdullah Al Noman, que apresentou os resultados da pesquisa.
Segundo os cientistas, a pilula, de base não hormonal, funciona inibindo reversível e temporariamente a fertilidade masculina. Nos testes em camundongos, a pílula administrada oralmente reduziu drasticamente a contagem de espermatozoides do animal e foi 99% eficaz na prevenção da gravidez sem efeitos adversos observáveis.
Os camundongos cobaias, anunciaram, recuperaram a fertilidade de 4 a 6 semanas depois da interrupção do medicamento.
A equipe de pesquisa, que recebeu financiamento da Iniciativa de Contracepção Masculina e de Institutos Nacionais de Saúde, trabalha com uma empresa chamada YourChoice Therapeutics para começar testes em humanos entre o terceiro e quarto trimestre deste ano.
"Não há garantia de que funcionará, mas seria realmente surpreendente se não observássemos um efeito em humanos também. Estou otimista de que avançaremos rapidamente", disse a professora Gunda Georg, que acredita que o medicamento poderá ser comercializado em até 5 anos.
Com informações de Agência France Presse