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Pesquisadores da USP unem IA e realidade virtual para prever Alzheimer

Plataforma desenvolvida em São Carlos analisa o cérebro em tempo real e identifica sinais precoces de declínio cognitivo em idosos

Redação
Publicado em 26/10/2026, às 12h06

Nova tecnologia utiliza também sensores para mapear a atividade cerebral de pacientes - ICMC-USP/Assessoria de Imprensa


O envelhecimento da população impõe desafios aos sistemas de saúde e exige novas ferramentas para o diagnóstico precoce de condições neurodegenerativas. Para atender a essa demanda, pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), em São Carlos, desenvolvem uma plataforma que integra realidade virtual, inteligência artificial (IA) e análise da atividade cerebral.

A ferramenta aprimora a identificação do comprometimento cognitivo leve (CCL), o estágio intermediário entre o declínio natural da idade e o início das demências. A estimativa atual aponta que 15% a 20% das pessoas acima de 65 anos apresentam comprometimento cognitivo leve.

Metade desse grupo pode evoluir para a doença de Alzheimer em até cinco anos. A identificação precoce dessa transição pauta o projeto do pesquisador Roberto Douglas Guimarães de Aquino. A supervisão é do professor Alexandre Delbem, coordenador do Centro para Inteligência Artificial em Gestão de Saúde (ciaGsaúde), com financiamento da Fapesp.



Aquino explica que a medicina tradicional avalia o declínio cognitivo por meio de exames de papel e caneta, métodos vulneráveis a variáveis socioculturais.

O que propomos aqui é uma quebra de paradigma com uma experiência imersiva e dinâmica capaz de medir as reações biológicas exatas do cérebro em milissegundos”, afirma.

Como a tecnologia funciona

A avaliação ocorre em uma sessão imersiva única, que simula tarefas da rotina em um ambiente de realidade virtual. Durante o teste, um eletroencefalograma registra a atividade elétrica do cérebro do paciente, enquanto sensores captam a movimentação dos olhos.

O tempo de fixação do olhar, por exemplo, revela a atenção do idoso, e as oscilações cerebrais mostram o esforço da memória operacional. A inteligência artificial cruza essas informações em tempo real, elimina ruídos e busca padrões associados ao declínio precoce. O algoritmo gera um relatório detalhado e explica os motivos dos resultados para apoiar a decisão do médico neurologista.



O professor Alexandre Delbem ressalta que o avanço pode guiar terapias personalizadas e devolver a independência aos pacientes. O projeto atua sob rígidos critérios éticos e armazena os dados de forma anônima. Ao fim da fase de validação, os pesquisadores prometem liberar os algoritmos em código aberto para o uso da comunidade científica. Um vídeo explicativo sobre o sistema está disponível no YouTube.

*Com informações da Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo.

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