Estudo da USP revela que traumas orofaciais são comuns em diversas modalidades e destaca a importância do protetor bucal
Redação
Publicado em 12/09/2025, às 14h00
Um estudo da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp), da USP, revelou que, apesar de comuns, as lesões dentárias traumáticas em atletas não recebem um manejo clínico padronizado. A pesquisa, que analisou oito casos em diferentes modalidades esportivas, destacou a importância da prevenção e do atendimento imediato para preservar a saúde bucal dos praticantes de atividades físicas.
Os pesquisadores observaram que a maior parte dos traumas afeta os dentes anteriores, especialmente os incisivos superiores, por estarem mais expostos durante a prática esportiva. A fratura foi o tipo de lesão mais frequente, seguida pela avulsão (deslocamento para fora do alvéolo) e intrusão (empurrada para dentro do alvéolo).
Alice Correa Silva Sousa, primeira autora do artigo, ressalta que as decisões terapêuticas variam entre os profissionais, mesmo em situações semelhantes. "Ao revisar os relatos de casos disponíveis na literatura, buscamos identificar quais são as estratégias que têm sido aplicadas, quais têm melhores resultados e onde ainda existem lacunas", explica. Essa falta de padronização pode impactar diretamente o prognóstico do dente e a saúde geral do atleta.
O estudo analisou casos publicados entre 2005 e 2024, envolvendo pacientes de 9 a 36 anos, praticantes de basquete, futebol, vôlei, golfe e ciclismo.
Um dado alarmante apontado pela pesquisa é que, em nenhum dos casos relatados, os atletas utilizavam proteção bucal ou facial.
A baixa adesão a esses equipamentos pode estar relacionada à ausência de orientação, à percepção do atleta de que o risco de acidentes é baixo e à ideia equivocada de que o uso do protetor bucal traria desconforto", aponta Alice Sousa.
Para a pesquisadora, a cultura preventiva ainda não está incorporada ao treinamento esportivo, e o uso de protetores deveria ser considerado parte do equipamento básico de segurança.
A pesquisa enfatiza que o atendimento imediato é fundamental para aumentar as chances de preservar o dente. No caso de uma criança de 9 anos que sofreu avulsão do incisivo central esquerdo durante uma partida de golfe, o dente foi recolocado pela família e reposicionado clinicamente, mantendo sua função.
Em contraste, um adolescente de 15 anos que sofreu avulsão de três incisivos em um acidente de bicicleta não pôde reimplantar os dentes devido à ausência de atendimento clínico imediato, precisando de um mantenedor de espaço funcional.
A pesquisadora alerta que a demora no manejo pode levar a necrose pulpar, reabsorção das raízes e perda dentária, comprometendo a estética e a função. O tratamento precoce, além de reduzir o risco de infecção, favorece a recuperação e o retorno seguro do atleta às suas atividades.
Alice Sousa destaca que a odontologia do esporte vai além do tratamento de lesões. A especialidade é crucial na orientação e adaptação de protetores bucais personalizados, garantindo conforto e segurança. Ela defende a participação de cirurgiões-dentistas em equipes interdisciplinares para preservar a saúde bucal e otimizar a performance de atletas, amadores ou profissionais.
"Todos estão sujeitos aos riscos e podem se beneficiar das orientações e cuidados desse especialista", reforça a professora da Forp.
O artigo Management strategies for sport-related traumatic dental injuries: a systematic review based on case reports pode ser acessado aqui.
*Com informações de Yasmin Constante, do Jornal da USP
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