Exercícios personalizados e intervenções na microbiota, com dietas específicas ou probióticos, podem ser terapias complementares ao tratamento do câncer
Redação
Publicado em 14/10/2025, às 08h32
Uma nova frente de combate ao câncer pode estar mais próxima da esteira da academia do que dos laboratórios farmacêuticos. Pesquisas recentes revelam que a prática regular de exercícios físicos provoca mudanças benéficas na microbiota intestinal, o conjunto de microrganismos que habitam o intestino, e essas alterações parecem impulsionar a ação das células T, fundamentais na luta contra tumores.
O médico fisiatra Rodrigo Guimarães de Andrade, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e do Instituto do Câncer, do estado de São Paulo (Icesp), diz que os benefícios são muitos, com evidências de que a atividade física ajuda antes mesmo do diagnóstico de alguns cânceres como o de mama, por exemplo.
Os cientistas já sabiam que o exercício é um aliado importante na prevenção de doenças crônicas, incluindo o câncer. No entanto, estudos mais recentes aprofundaram esse entendimento ao identificar como a atividade física modifica o metabolismo das bactérias intestinais, gerando compostos que fortalecem o sistema imunológico, especialmente no combate a células tumorais.
Durante o exercício, o organismo libera substâncias que influenciam diretamente a composição da microbiota intestinal. Algumas espécies bacterianas passam a produzir mais ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, que têm propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras.
As moléculas atuam como sinalizadores químicos que ajudam a “treinar” as células T para reconhecer e atacar células cancerígenas com mais eficiência, avalia o especialista sobre o resultado da recente pesquisa.
Esses achados abrem caminho para possíveis terapias complementares ao tratamento convencional do câncer, associando planos de exercícios personalizados e intervenções na microbiota, como dietas específicas ou probióticos.
O estudo é positivo e cria esperança, além de remédios e pesquisas em laboratórios, com novas perspectivas para a imunoterapia. Esse modelo de tratamento já ocorre no Brasil e agora é preciso expandi-lo para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Apesar dos resultados promissores, os cientistas alertam que ainda são necessários estudos clínicos em humanos para confirmar os efeitos observados em laboratório. No entanto, a evidência acumulada reforça a importância do estilo de vida saudável não apenas como prevenção, mas também como potencial aliado no tratamento do câncer.
O corpo humano é um sistema integrado, no qual intestino, imunidade e atividade física se comunicam de maneira surpreendente. Os novos estudos sobre a microbiota intestinal e a imunoterapia contra o câncer mostram que cuidar da saúde pode ir muito além da balança ou do espelho, pode ser uma escolha que fortalece a capacidade natural do organismo de se defender contra uma das doenças mais temidas da atualidade.
* Com informações de governo de São Paulo
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