Estudo liga hipotireoidismo a casos mais graves de apneia do sono

Pesquisa da Unifesp identificou maior frequência de apneia em pessoas com hipotireoidismo, e melhor qualidade do sono entre pacientes em tratamento

Rhauanny Queiroz
Publicado em 10/08/2026, às 13h30

Estudo aponta relação entre hipotireoidismo e maior frequência de apneia obstrutiva do sono - Reprodução/Shutterstock


Pessoas com hipotireoidismo apresentam quadros mais frequentes e mais graves de apneia obstrutiva do sono, segundo estudo publicado na revista científica Sleep. A pesquisa foi conduzida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante a noite, causadas pelo colapso das vias respiratórias. O problema pode provocar ronco, despertares frequentes, sonolência diurna e dificuldade de concentração.

Os pesquisadores analisaram dados de 761 moradores da cidade de São Paulo, que participaram do Estudo Epidemiológico do Sono de São Paulo (Episono) e realizaram exames laboratoriais e polissonografia, considerado o principal exame para avaliação do sono.



O hipotireoidismo foi identificado em 12,6% dos participantes. Entre essas pessoas, 49,5% apresentavam apneia obstrutiva do sono, proporção considerada elevada pelos autores do estudo.

O que é hipotireoidismo?

O hipotireoidismo ocorre quando a tireoide produz quantidade insuficiente de hormônios. A glândula, localizada na região do pescoço, participa da regulação do metabolismo, da temperatura corporal, da frequência cardíaca e do gasto energético.

Entre os sintomas mais comuns estão cansaço, sonolência, ganho de peso, queda de cabelo, pele seca, constipação e dificuldade de concentração.

Sono mais fragmentado

De acordo com o estudo, participantes com hipotireoidismo tiveram noites de sono mais fragmentadas, acordaram mais vezes durante a noite e apresentaram maior frequência de apneia do sono.

Os pesquisadores observaram ainda que níveis mais elevados de TSH, hormônio usado para avaliar o funcionamento da tireoide, estiveram associados a maior probabilidade de formas mais graves de apneia.

A análise também apontou que características relacionadas à pior qualidade do sono e à maior gravidade da apneia estavam associadas a maior chance de hipotireoidismo, sugerindo uma possível relação bidirecional entre as duas condições.

Tratamento pode melhorar o sono

O trabalho avaliou também o impacto da reposição hormonal em pacientes com hipotireoidismo. Segundo os resultados, aqueles que faziam tratamento dormiam, em média, cerca de 49 minutos a mais por noite e passavam aproximadamente 22 minutos adicionais em sono profundo em comparação com os pacientes não tratados.

O sono profundo está relacionado a processos de reparação do organismo, consolidação da memória e recuperação tecidual.

Atenção aos sintomas

As pesquisadoras destacam que tanto o hipotireoidismo quanto a apneia do sono estão associados ao aumento do risco cardiovascular quando não tratados adequadamente.

Segundo a equipe da Unifesp, pacientes com apneia do sono podem se beneficiar da investigação da função tireoidiana, enquanto pessoas com hipotireoidismo devem ser avaliadas quanto à presença de distúrbios do sono.

Os autores ressaltam que tratar o hipotireoidismo não substitui a avaliação e o tratamento específico da apneia do sono, já que se tratam de condições diferentes que podem ocorrer ao mesmo tempo.

Para mais conteúdos: