Esquecimento e cansaço constantes? Entenda o sinal de TDAH em adultos

Transtorno afeta até 8% da população mundial; médica psiquiatra detalha sintomas e orienta sobre diagnóstico tardio na fase adulta

Redação
Publicado em 15/07/2026, às 11h04

Diagnóstico correto permite que o paciente inicie o tratamento adequado - Vitaly Gariev/Pexels


Esquecimentos frequentes, cansaço ao final do dia, procrastinação e dificuldade para cumprir prazos simples. Sintomas que, muitas vezes, são associados ao estresse do cotidiano podem ser, na verdade, sinais do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) em adultos.

A condição neurobiológica e genética afeta entre 5% e 8% da população mundial e tem registrado aumento na busca por diagnósticos.

A médica psiquiatra Ana Paula Ruocco detalha que o termo correto para definir a condição não é doença.



O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento. Ele vem sendo muito falado, e aparecem muitos casos porque está mais divulgado, o que faz as pessoas procurarem mais tratamento", explica a médica.

Para confirmar a presença do transtorno, os sintomas característicos precisam se manifestar desde a infância, antes dos 12 anos, e persistir ao longo do tempo. O quadro costuma provocar prejuízos em diferentes áreas da vida, como na escola, no trabalho e no ambiente familiar.

De acordo com a médica psiquiatra, a descoberta do transtorno em homens e mulheres adultos ocorre frequentemente após o diagnóstico de um filho.

Muitos vêm pelos filhos, que foram diagnosticados com TDAH, e se veem naquela situação, percebendo que também passavam por aquilo. Existe uma parte genética muito forte no transtorno", relata Ana Paula Ruocco.

A busca por informações na internet e nas redes sociais também contribui para que mais pessoas se identifiquem com os sintomas de desatenção e busquem avaliação especializada.



Busca pelo tratamento

O tratamento para o TDAH é individualizado e adaptado às necessidades de cada paciente. A abordagem terapêutica envolve o uso de medicamentos específicos, além de psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), e estratégias de organização diária.

Esse processo de autoconhecimento foi transformador para a advogada Carla Araújo Galvão Wisniewski. Ela relata que começou a perceber lapsos frequentes de memória na própria rotina. "Comecei a perceber que eu tinha muitos esquecimentos e que, para mim, a agenda tinha que ser uma constante", conta a profissional.

Após o falecimento da mãe, em 2018, Carla notou uma exaustão intensa ao fim do dia. Ao analisar laudos médicos de processos em seu escritório de advocacia, ela passou a se identificar com as características descritas do transtorno e decidiu agendar uma consulta médica.



Com o diagnóstico confirmado e o tratamento correto iniciado, a advogada recuperou a qualidade de vida. "É muito importante a gente se conhecer. Nos conhecendo, nós vivemos melhor e tratamos as pessoas também de forma melhor", conclui Carla Araújo.

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