Especialista aponta relação entre obesidade e redução da testosterona em homens

Dados recentes da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica indicam que a obesidade já atinge 1 em cada 5 brasileiros

Redação
Publicado em 19/08/2025, às 11h37

OMS estima que, ainda neste ano, 2,3 bilhões de adultos em todo o mundo estarão acima do peso - Imagem ilustrativa/Freepik


A testosterona é um hormônio produzido em homens e mulheres, mas apresenta maior incidência no sexo masculino. Esse regulador é responsável pelo desenvolvimento de características como: pelos, voz grossa e massa muscular, além de estar relacionado à libido e ao desejo sexual. 

Mas o descontrole dos níveis de testosterona em homens pode estar associado a fatores como o sedentarismo, a obesidade e o sobrepeso. Dados recentes da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica indicam que a obesidade já atinge 1 em cada 5 brasileiros. Esse cenário chama a atenção dos especialistas, considerando que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, ainda neste ano, 2,3 bilhões de adultos em todo o mundo estarão acima do peso.  

O médico clínico geral Dr. Marcelo Bechara, especialista em hormonologia com foco em obesidade e reposição hormonal masculina, pela Harvard Medical School, avaliou o crescimento do sobrepeso no Brasil e explicou a relação entre o acúmulo de gordura corporal e os descontrole dos níveis de testosterona em homens.



“A obesidade é uma doença preocupante, pois afeta o organismo como um todo, inflamando células e provocando alterações no metabolismo, causando diversos problemas, entre eles, a diminuição da testosterona. Em média, um homem saudável apresenta níveis hormonais que variam entre 300 a 1.000 nanogramas por decilitro de sangue, para um jovem com idade entre 20 e 30 anos. Já um homem obeso, pode ter até 40% a menos de testosterona considerando a mesma idade”, disse Bechara.

Impactos na saúde sexual e mental

A testosterona é produzida, em grande parte, nos testículos e, por isso, está associada a características sexuais masculinas. A diminuição ou o descontrole dos níveis hormonais impacta diretamente a libido.

“Um homem que está com a produção de testosterona abaixo dos valores indicados apresenta sintomas como cansaço, desânimo, ausência de vitalidade e, principalmente, a perda da libido que, a longo prazo, pode desencadear outros problemas. Diminuição da autoestima, estresse, ansiedade e até a dificuldade nos relacionamentos afetivos, são algumas das consequências que afetam a qualidade de vida”, concluiu o especialista. 



Um homem obeso pode ter até 40% a menos de testosterona - Imagem ilustrativa/Freepik

 

Obesidade

O Ministério da Saúde lembra da importância da conscientização da população sobre os riscos da obesidade e a adoção de hábitos saudáveis para sua prevenção. A obesidade acomete pessoas de todas as idades e está associada a diversos problemas graves de saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, além de estigmas e estereótipos preconceituosos relacionados ao excesso de peso, que podem desencadear problemas psicológicos, depressão, baixa autoestima e angústia. 

Caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, a obesidade pode impactar diretamente a qualidade e a expectativa de vida das pessoas afetadas. A prevenção ainda é a melhor estratégia para garantir a saúde e o bem-estar. Sabe-se que o padrão alimentar relacionado às doenças crônicas não transmissíveis é caracterizado, especialmente, pelo baixo consumo de alimentos in natura e minimamente processados em paralelo ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados.



Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, a obesidade está mais relacionada à qualidade do que se come do que à quantidade ingerida. Além disso, outros fatores, como a falta ou insuficiência de atividade física, também desempenham um papel importante no desenvolvimento da doença. 

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