Endometriose atinge uma em cada dez brasileiras e pode levar anos para diagnóstico

Doença afeta a saúde física e emocional, provoca cólicas severas, dificuldades reprodutivas e agravamento por obesidade e diagnóstico tardio

Redação
Publicado em 07/05/2025, às 14h48

Dor pélvica crônica, infertilidade e irregularidades menstruais estão entre os principais sintomas - Geovana Albuquerque/Arquivo Agência Saúde


Nesta quarta-feira (7), o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose reforça o alerta para uma condição que atinge cerca de 10% das mulheres brasileiras, segundo o Ministério da Saúde. Em muitos casos, o diagnóstico só ocorre anos após os primeiros sintomas. Em 2021, mais de 26 mil atendimentos foram feitos pelo SUS e cerca de 8 mil internações foram registradas em função da doença.

Caracterizada pelo crescimento do tecido do endométrio fora do útero, a endometriose pode atingir ovários, intestino, bexiga e outros órgãos da pelve. A doença é silenciosa, mas dolorosa, com sintomas como cólicas menstruais intensas e progressivas, dor durante a relação sexual, alterações urinárias e intestinais durante o ciclo, além da infertilidade. Conforme matéria publicada pela Agência Brasil, que ouviu o ginecologista Roberto Carvalhosa, da rede pública do Rio de Janeiro, apesar de benigna, a entometriose é muito grave e o diagnóstico costuma ser tardio, com tempo médio entre sete e nove anos. 

Na rede pública, as unidades básicas de saúde oferecem consultas e exames. Quando necessário, a paciente é encaminhada para cirurgia. O tratamento varia conforme a idade e gravidade do quadro, e pode incluir anti-inflamatórios, anticoncepcionais ou procedimentos cirúrgicos. Uma abordagem complementar tem ganhado força entre especialistas: a medicina integrativa.



Segundo o médico Marcelo Bechara, especialista em Medicina Integrativa e Ciência da Obesidade, o excesso de gordura corporal pode agravar a condição. “O sobrepeso promove um processo inflamatório no organismo, potencializando sintomas como a constipação e irregularidade no ciclo”, explica. Bechara reforça que a medicina integrativa pode ajudar no controle dos sintomas. “Com práticas adequadas, é possível aliviar dores pélvicas, evitar anemia e até reduzir impactos emocionais como a depressão. Mas isso nunca substitui o acompanhamento ginecológico.”

O mês de março também marca a campanha nacional de conscientização sobre a endometriose. A expectativa é que, com mais informação e atenção à saúde da mulher, o diagnóstico ocorra de forma mais precoce, evitando complicações severas e ampliando a qualidade de vida das pacientes.

Formado pela Universidade Metropolitana de Santos (Unimes) e com especializações em Hormonologia, Longevidade e Ciência da Obesidade, o médico atua na clínica Marcelo Bechara, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, com foco na promoção de saúde e bem-estar por meio de abordagens integrativas.



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