Cobertura da tríplice viral permanece próxima da meta nacional, enquanto índice da tetraviral exige maior atenção no município
Lenildo Silva
Publicado em 16/08/2026, às 14h31
A cidade de Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, mantém monitoramento do sarampo diante da circulação do vírus em outras localidades e do intenso deslocamento de moradores e visitantes entre municípios e estados. A situação também levou a Secretaria Municipal de Saúde a reforçar ações de vacinação e orientações para quem pretende viajar.
Nos últimos 12 meses, Caraguatatuba não registrou casos confirmados de sarampo, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. A Vigilância Epidemiológica acompanha as notificações e investiga eventuais casos suspeitos conforme os protocolos do Ministério da Saúde.
A cobertura da vacina tríplice viral está em 93,28%, índice 1,72 ponto percentual abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Já a cobertura da tetraviral chega a 76,43%, diferença de 18,57 pontos percentuais em relação à meta.
Segundo a Secretaria de Saúde, um dos fatores relacionados à cobertura abaixo da meta é a recusa de pais e responsáveis ao pedido de autorização para vacinação nas escolas. O município alerta que índices inferiores a 95% aumentam o risco de surtos por causa do acúmulo de pessoas suscetíveis.
A Secretaria mantém vacinação de rotina nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Todas as unidades, com exceção de Tabatinga, permanecem abertas das 7h30 às 16h30.
As estratégias incluem conferência e atualização das cadernetas, vacinação em locais de grande circulação, escolas das redes municipal, estadual e particular, creches, eventos e atividades comunitárias.
Em maio de 2026, o município intensificou a vacinação de estudantes e crianças nas escolas e creches. As equipes verificaram as cadernetas e encaminharam aos responsáveis as autorizações necessárias para aplicação das doses.
A Secretaria também mantém ações em espaços públicos e eventos para alcançar pessoas que não procuram espontaneamente as unidades de Saúde. Outra orientação é verificar a situação vacinal antes de viagens.
Por receber grande fluxo de visitantes durante férias, feriados e eventos, Caraguatatuba mantém a vigilância epidemiológica integrada à rede municipal de Saúde, com atenção ao histórico de viagens e deslocamentos dos pacientes.
A estratégia prevê identificação de casos suspeitos, notificação, investigação epidemiológica, monitoramento de contatos e atualização da situação vacinal. Moradores e visitantes devem manter a vacinação em dia.
A recomendação também vale para quem não pretende viajar. Segundo a Secretaria, existe possibilidade de introdução do vírus por pessoas que retornem de áreas onde há circulação da doença.
O estado de São Paulo registrou 23 casos confirmados de sarampo em 2026, com centenas de suspeitas em investigação. A maioria dos registros concentra-se na capital, seguida por São Bernardo do Campo e Guarulhos. Altamente contagiosa, a infecção viral pode provocar complicações sérias e exige atenção imediata aos primeiros sintomas.
O contágio ocorre por via aérea, ao falar, tossir, espirrar e respirar. De acordo com especialistas, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% dos indivíduos próximos não imunizados. O período de transmissão começa cerca de seis dias antes do surgimento das manchas na pele e dura até quatro dias após a erupção.
Os principais sintomas da doença incluem febre alta (acima de 38,5°C) e manchas avermelhadas (exantema), que costumam surgir no rosto e atrás das orelhas antes de se espalharem pelo corpo.
O quadro também pode vir acompanhado de tosse seca, irritação nos olhos (conjuntivite) e mal-estar. A persistência da febre é sinal de alerta para risco de agravamento, principalmente em crianças menores de 5 anos.
A infecção pode evoluir para complicações graves, como pneumonia, otite média, desidratação e encefalite aguda. Não há tratamento específico contra o vírus; os cuidados médicos visam aliviar sintomas, repor hidratação e garantir suporte nutricional adequado.
A imunização por meio da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) é a principal medida de prevenção. No Sistema Único de Saúde (SUS), o esquema de rotina prevê a primeira aplicação aos 12 meses e a segunda aos 15 meses, além da "dose zero" para bebês de 6 a 11 meses em períodos ou regiões com recomendação específica.