Profissional detalha como o contato com fezes de aves transmite a criptococose e reforça a importância do diagnóstico precoce
Redação
Publicado em 01/06/2026, às 15h27
Eles fazem parte do cenário diário em praças, calçadas e, principalmente, nas áreas portuárias da Baixada Santista, como nas cidades de Santos, Guarujá e Cubatão. Embora o convívio urbano com os pombos pareça inofensivo, a proximidade com essas aves esconde um perigo invisível e grave para a saúde: a criptococose.
O biomédico Carlos Eduardo Pires explica que o contágio ocorre por meio da inalação do fungo presente nos dejetos. "Quando a pessoa for limpar um sótão ou alguma coisa do tipo, deve sempre usar máscara. Você pode inalar esse fungo, o que gera a criptococose", orienta o biomédico. De acordo com ele, cerca de 90% dos casos da doença têm origem no contato com fezes de pombos.
Os sinais da infecção assemelham-se aos de uma pneumonia. Pires destaca que o paciente apresenta sintomas como febre e dor no pulmão. As manifestações surgem de forma muito rápida, em questão de quatro a cinco horas após o contato com as fezes infectadas pelo fungo Cryptococcus.
A detecção da doença ocorre, inicialmente, por meio de um exame de sangue específico para a pesquisa do fungo. Em situações mais severas, o paciente precisa passar por uma coleta de líquor (líquido cefalorraquidiano).
Fazer o exame de líquor é complicado, é uma condição muito específica feita pelo neurologista. Não podemos aspirar o líquor; a equipe insere uma agulha na coluna e ele é gotejado. Então, temos que tomar cuidado", detalha o biomédico.
O tratamento principal tem base no uso de medicamentos antifúngicos. No entanto, Carlos Eduardo ressalta que a equipe médica deve investigar se há infecções secundárias. Caso os exames apontem a presença de alguma bactéria associada, o protocolo passa a incluir a administração de antibióticos.
*Com informações do biomédico Carlos Eduardo Pires, para o quadro Saúde em Dia, da TV Cultura Litoral.