Estudo da USP mostrou que as duas estratégias melhoraram qualidade de vida e reduziram sintomas de ansiedade e depressão
Redação
Publicado em 26/08/2026, às 11h20
Aumentar a quantidade de passos dados diariamente pode ajudar no controle da asma tanto quanto participar de sessões estruturadas de treinamento aeróbico. É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista Pulmonology.
A pesquisa avaliou pessoas com asma moderada a grave não controlada e mostrou que as duas estratégias não farmacológicas contribuíram para melhorar a qualidade de vida, reduzir sintomas de ansiedade e depressão e manter o controle clínico da doença a médio prazo.
O trabalho foi desenvolvido pelo fisioterapeuta David Halen Araújo Pinheiro, durante o doutorado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), em colaboração com a Unidade de Doenças de Vias Aéreas da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (HC) da FM-USP.
O estudo recebeu apoio da FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Dos 480 pacientes convidados, 52 participaram do estudo após passarem pela triagem. Os voluntários tinham entre 18 e 65 anos e precisavam atender a critérios como estar fisicamente inativos, receber tratamento médico havia pelo menos seis meses, estar clinicamente estáveis e não ser fumantes.
Antes do início das intervenções, todos participaram de uma aula presencial sobre temas como fisiopatologia da asma, uso correto dos medicamentos e benefícios da atividade física.
Depois, os participantes foram divididos por sorteio em dois grupos.
Um deles participou de treinamento aeróbico duas vezes por semana, no Hospital das Clínicas, durante 45 minutos por sessão. Os exercícios eram feitos em esteira ergométrica com orientação profissional.
O segundo grupo participou de encontros uma vez por semana, com sessões de até 90 minutos. Os participantes receberam orientações e incentivos para aumentar a atividade física por meio de caminhadas e do estabelecimento de metas semanais. Para acompanhar a quantidade de passos, receberam um smartwatch.
As duas intervenções tiveram duração de oito semanas.
Os pesquisadores avaliaram a atividade física, o controle clínico da asma, a qualidade de vida e os sintomas de ansiedade e depressão antes da intervenção, logo após as oito semanas e novamente quatro meses depois.
Os voluntários utilizaram dispositivos para medir os passos durante o dia e acompanhar a qualidade do sono durante a noite.
Os participantes dos dois grupos apresentaram redução dos sintomas respiratórios, e os benefícios permaneceram quatro meses depois do encerramento das intervenções.
Nenhuma das duas estratégias apresentou resultado superior à outra.
David Halen Araújo Pinheiro, pesquisador responsável pelo estudo, afirma: “Ambas as intervenções são benéficas para o paciente e proporcionam um melhor controle clínico da doença. E, em nosso resultado, nenhuma das estratégias se sobressaiu à outra”.
Após as oito semanas, os dois grupos registraram aumento na quantidade de passos diários em comparação com o início da pesquisa.
No grupo que fez treinamento aeróbico, o aumento médio foi de 1.537 passos por dia. Quatro meses depois, o acréscimo em relação ao momento inicial era de 983 passos.
Entre os participantes que receberam a intervenção comportamental para aumentar as caminhadas, o número de passos cresceu, em média, 1.126 por dia após os dois meses de programa. No acompanhamento quatro meses depois, o aumento chegou a 996 passos em relação ao início.
Embora tenha ocorrido redução em relação ao período imediatamente posterior à intervenção, os números dos dois grupos permaneceram acima dos registrados antes do início da pesquisa.
Os pesquisadores também observaram que alguns participantes mantiveram as atividades depois do fim do estudo. Parte dos integrantes do grupo de treinamento aeróbico relatou ter passado a frequentar academias para utilizar a esteira, enquanto participantes da intervenção comportamental continuaram com as caminhadas no cotidiano.
A variação climática, com a mudança entre períodos frios e quentes, foi apontada como o principal motivo para a interrupção das atividades entre aqueles que deixaram de manter a prática.
O estudo avaliou estratégias não farmacológicas como complemento ao tratamento da asma. Os pesquisadores ressaltam que os participantes deveriam manter o uso contínuo da medicação prescrita pelo médico.
Pinheiro afirma: “Tanto o treinamento aeróbio como a intervenção são um complemento da medicação. Não podemos jamais parar de fazer uso do tratamento que o médico prescreve”.
A pesquisa, portanto, aponta que aumentar a quantidade de passos durante o dia pode ser uma alternativa de atividade física para pessoas com asma moderada a grave, com resultados semelhantes aos observados no grupo submetido ao treinamento aeróbico estruturado.
Além do controle clínico da doença, as duas estratégias estiveram associadas à melhora da qualidade de vida e à redução de sintomas de ansiedade e depressão entre os participantes avaliados.