São Sebastião se destaca como o primeiro porto brasileiro amigo das baleias

Sempre que o animal atravessa o canal, um alarme é acionado; desde a implementação das medidas, não houve registro de colisões

Redação
Publicado em 02/09/2025, às 13h00

Iniciativa coloca preservação dos cetáceos no centro da atividade portuária - Divulgação/Semil


O porto de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, é o primeiro do Brasil a adotar protocolo internacional de proteção às baleias. Desde 2023, todos os navios que operam no terminal seguem a cartilha elaborada pela Great Whale Conservancy, em parceria com os projetos Baleia Jubarte e Baleia à Vista. A iniciativa pioneira coloca a preservação dos cetáceos no centro da atividade portuária.

De acordo com a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, do estado de São Paulo), a medida é especialmente relevante porque o litoral norte paulista está na rota de espécies migratórias, que se aproximam da costa todos os anos, atraindo também turistas interessados na observação desses animais.

Estima-se que, no Brasil, 92% das rotas marítimas coincidam com os trajetos percorridos pelas baleias em busca de águas mais quentes para reprodução. Nesse cenário, navios de carga, cruzeiros e embarcações menores figuram entre as maiores ameaças a esses animais.



A iniciativa começou no terminal aquaviário privado Almirante Barroso e, posteriormente, foi adotada também pelo porto de São Sebastião. Desde a implementação das medidas, não houve registro de colisões com baleias na região. Sempre que um animal atravessa o canal, um alarme é acionado para que as embarcações se reposicionem e evitem acidentes.

Segundo Júlio Cardoso, fundador do projeto Baleia à Vista e um dos colaboradores do guia de navegação segura, até o fim de julho foram registrados 695 avistamentos de cetáceos — número bem superior ao do mesmo período de 2024, quando foram contabilizados 403 registros.

Ernesto Sampaio, diretor-presidente do porto, comentou: “O porto de São Sebastião tem o compromisso de conciliar o desenvolvimento portuário com a preservação da vida marinha. A presença das baleias é um privilégio do litoral norte, e cabe a nós garantir que esse espetáculo ocorra com segurança”.



O foco da iniciativa é orientar marinheiros, tripulações e operadores sobre como evitar colisões e reduzir impactos ambientais. Entre as principais recomendações estão manter o motor em ponto morto na presença de cetáceos, respeitar a distância mínima de 100 metros e nunca persegui-los ou permanecer próximo por mais de 30 minutos.

O porto de São Sebastião deu início à sua dragagem de manutenção em julho, com atenção especial à proteção de baleias e tartarugas. Durante a obra, um profissional, com apoio de drones, fará o monitoramento da área para identificar a presença desses animais. Se houver aproximação, os trabalhos serão imediatamente interrompidos até que o animal se afaste em segurança.

No Brasil, 92% das rotas marítimas coincidem com os trajetos percorridos pelas baleias - Prefeitura de Ilhabela

 



Rota migratória

O litoral norte de São Paulo é uma das principais rotas migratórias das jubartes no país. Todos os anos, milhares de baleias deixam as águas geladas do Atlântico Sul rumo à costa tropical brasileira. Além das jubartes, a região abriga pelo menos outras três espécies de baleias e sete espécies de golfinhos.

Segundo estimativas, aproximadamente 120 mil turistas visitam o litoral norte apenas para observar os cetáceos, movimentando R$ 138 milhões por ano na economia local. O guia de navegação segura está disponível gratuitamente para download no site oficial do porto de São Sebastião.

Para mais conteúdos:



Leia também

Descubra 4 curiosidades sobre as baleias-jubarte que passam pelo litoral norte de SP


Baleias 'invadem' o litoral norte de SP: 695 jubartes avistadas em 2025