Lula era candidato, mas perdeu para Fernando Henrique Cardoso, na última eleição decidida no 1º turno; pesquisas de 2026 mostram presidenciáveis distantes da maioria absoluta
Lenildo Silva
Publicado em 20/09/2026, às 15h19
O Brasil não elege presidente da República no primeiro turno há 28 anos. O último feito ocorreu em 4 de outubro de 1998, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) conquistou a reeleição sem precisar de nova votação. Desde então, as seis eleições presidenciais seguintes no país foram decididas no segundo turno.
Naquela eleição, FHC recebeu 35.936.916 votos, o equivalente a 53,06% dos votos válidos. O principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), obteve 31,71%. Como Fernando Henrique ultrapassou a metade dos votos válidos, a disputa terminou no primeiro turno. Dados históricos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmam a eleição de FHC em 4 de outubro de 1998 e o total de votos obtidos.
Quatro anos antes, Fernando Henrique também obteve vitória sem segundo turno. Em 1994, recebeu 54,3% dos votos válidos. A sequência não voltou a ocorrer: as eleições de 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022 exigiram segunda votação para definir a presidência.
Pela Constituição, não basta que o candidato termine em primeiro lugar. Para a eleição de presidente no primeiro turno, é necessário obter mais da metade dos votos válidos, desconsiderados brancos e nulos. Caso ninguém alcance a maioria absoluta, os dois candidatos mais votados avançam para o segundo turno.
Em 2026, o primeiro turno está marcado para 4 de outubro, enquanto eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. Segundo o TSE, 158.765.543 eleitores estão aptos a votar neste ano em todo o país.
Nas eleições gerais, apenas as disputas para presidente da República e governador podem chegar ao segundo turno. Isso ocorre porque, para esses cargos, a legislação exige maioria absoluta dos votos válidos, ou seja, mais de 50%, sem contar brancos e nulos.
Se nenhum candidato alcançar esse patamar no primeiro turno, os dois mais votados voltam às urnas. A mesma lógica vale nas eleições municipais para prefeito de cidades com mais de 200 mil eleitores.
Para senadores e deputados, a definição ocorre no primeiro turno, mas por regras diferentes. Senadores são escolhidos pelo sistema majoritário de maioria simples: em 2026, como cada estado e o Distrito Federal elegem dois senadores, ficam com as vagas os dois candidatos mais votados, sem necessidade de superar 50%.
Já os deputados federais, estaduais e distritais são eleitos pelo sistema proporcional, no qual os votos recebidos pelos candidatos e pelas legendas ajudam a determinar quantas cadeiras cada partido ou federação conquista; depois, as vagas são preenchidas conforme as regras de votação dentro de cada legenda. Por isso, também não existe segundo turno para deputado.
A comparação com as pesquisas mais recentes ajuda a dimensionar a diferença entre intenção de voto e o percentual necessário para uma vitória antecipada. Os levantamentos, porém, representam fotografias do momento em que as entrevistas foram realizadas e não são previsões do resultado da eleição.
No Datafolha, divulgado em 17 de setembro, Lula (PT) registrou 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) apareceu com 36%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que indica empate técnico nesse levantamento.
A AtlasIntel/Bloomberg, também divulgada em 17 de setembro, apontou Lula com 44,1% dos votos totais e Flávio Bolsonaro com 41,7%. Ao considerar somente os votos válidos — critério utilizado para definir a eleição —, os percentuais passam para 45% e 42,6%, respectivamente. A pesquisa ouviu 5.018 pessoas entre 11 e 16 de setembro e tem margem de erro de um ponto percentual.
A pesquisa CNT/MDA, divulgada em 15 de setembro, registrou Lula com 40,5% e Flávio Bolsonaro com 30,4%. O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre 9 e 13 de setembro e apresenta margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
Na Quaest, divulgada em 14 de setembro, Lula marcou 36%, contra 31% de Flávio Bolsonaro. O instituto entrevistou 2.004 eleitores entre 10 e 13 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Os levantamentos não permitem afirmar com antecedência se haverá segundo turno. Os institutos apresentam percentuais diferentes porque utilizam amostras, períodos de coleta e metodologias próprias.