PL defende Rosana Valle de críticas de Aninha Ferreira, ex-candidata do partido em São Vicente

Aninha Ferreira queria disputar vaga de deputada federal pelo PL e atribui suposto veto a Rosana Valle; direção estadual do partido rebate a acusação

Lenildo Silva
Publicado em 15/08/2026, às 13h56

Rosana Valle tem reduto na Baixada Santista; Aninha Ferreira foi a mulher mais votada do PL em São Vicente - Reprodução/Redes Socias


Um desentendimento dentro do Partido Liberal (PL) ganhou novos capítulos e colocou São Vicente, litoral de São Paulo, no centro de uma disputa interna da legenda do estado. De um lado está Aninha Ferreira, ex-candidata a vereadora mais votada do PL na cidade; do outro, Rosana Valle, presidente estadual do PL Mulher e deputada federal.

Após críticas públicas feitas por Aninha, a Executiva Estadual do partido divulgou nota, na sexta-feira (14), em defesa da parlamentar e afirmou que decisões sobre candidaturas para as eleições de 2026 cabem às instâncias partidárias.

A disputa começou a ganhar repercussão pública em julho, depois que Aninha ficou fora da chapa do PL para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A ex-candidata atribuiu a Rosana participação no suposto veto e passou a falar publicamente em "boicote" e "perseguição", por ser ela também da Baixada Santista, reduto eleitoral de Rosana.



Aninha disputou uma cadeira na Câmara de São Vicente pelo PL em 2024. Ela recebeu 3.433 votos, equivalentes a 2,01% dos votos válidos para vereador, mas não foi eleita. O resultado colocou a então candidata entre os nomes mais votados do município e fez dela a mulher com maior votação naquela eleição para o Legislativo vicentino, apesar de não conquistar uma das 15 vagas.

O embate aumentou na quarta-feira (12), quando Aninha Ferreira voltou a criticar Rosana durante entrevista a um programa no YouTube. A ex-candidata acusou a deputada de agir com "hipocrisia", questionou o trabalho dela à frente do PL Mulher paulista e fez referência à idade da parlamentar.

PL defende Rosana

Diante da repercussão, a Executiva Estadual do PL de São Paulo saiu em defesa de Rosana e contestou as acusações feitas pela correligionária de São Vicente. Segundo a nota encaminhada à reportagem, o partido que elegeu o ex-presidente Jair Bolsonaro explica que a definição de chapas, candidaturas e estratégias eleitorais compete à direção estadual, em alinhamento com as orientações da direção nacional, e não representa decisão isolada de qualquer filiado.



O compromisso do PL é com a unidade, a disciplina partidária e o respeito às instâncias internas. Divergências de qualquer natureza devem ser tratadas por meio dos canais institucionais competentes, preservando-se sempre o respeito mútuo e a responsabilidade com a legenda. Manifestamos solidariedade à deputada federal Rosana Valle”, afirma trecho do comunicado.

Rosana preside o PL Mulher de São Paulo desde 2023. A indicação foi anunciada pela direção nacional da ala feminina da legenda naquele ano. A deputada cumpre atualmente o segundo mandato na Câmara e foi reeleita em 2022 com 216.437 votos. Nas eleições 2026 a parlamentar busca terceiro mandato consecutivo na Câmara Federal.

Rosana nega ter poder para vetar candidatura

Rosana Valle também rebate diretamente a versão apresentada por Aninha. A parlamentar afirmou, por meio de nota, que não tem poder dentro da legenda para definir individualmente quem poderá disputar as eleições.

"Não tenho nenhum poder no PL para dizer quem será e quem não será candidato. Não sei por que ela [Aninha Ferreira] me colocou nisso. Talvez, seja por inexperiência ou desconhecimento. De toda maneira, não vou aceitar ataques por parte de quem não compreende o espírito coletivo, que deve estar acima de qualquer interesse pessoal", afirmou Rosana.



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