Governo promete ofensiva para acabar com jornada de 6 dias de trabalho

Planalto estuda novo projeto para unificar propostas no Congresso; Gleisi Hoffmann e Guilherme Boulos citam apoio popular e diálogo com a Câmara

Redação
Publicado em 28/01/2026, às 16h08

Articulações visam aprovar a medida ainda no primeiro semestre - Tomaz Silva/Agência Brasil


O governo federal definiu o fim da jornada de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho por um de descanso), como prioridade para a agenda legislativa de 2026.

Nesta quarta-feira (28), a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, reforçaram articulação para aprovar a medida ainda no primeiro semestre deste ano.

Para acelerar a tramitação, governo avalia enviar projeto próprio que unifique as propostas que já circulam no Congresso.



Está na hora de cuidar da qualidade de vida do povo brasileiro. Não é possível que as pessoas tenham um dia só por semana para descansar e para seus afazeres. Isso atinge principalmente as mulheres", afirmou Gleisi.

Articulação com a Câmara

Estratégia envolve diálogo direto com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo os ministros, o parlamentar se mostrou "simpático" a colocar o tema em discussão.

Gleisi comparou o cenário atual à recente aprovação da isenção do Imposto de Renda, para quem ganha até R$ 5 mil. Para ela, quando uma proposta tem forte apelo popular, o Congresso tende a ser sensível, mesmo com resistência de alguns setores produtivos.

Guilherme Boulos, que tem participado das negociações junto como o Ministério do Trabalho, minimizou as críticas do empresariado.



O grande empresário ser contra não é surpresa. Se dependesse deles, seria escala 7x0", declarou.

Ele citou como exemplo o próprio Palácio do Planalto que, em dezembro, encerrou a escala 6x1 para centenas de trabalhadores terceirizados de limpeza e copa, migrando-os para o regime 5x2.

Atualmente, o tema já tramita na Casa por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que reuniu 226 assinaturas em 2025.

Outras prioridades legislativas

Com retorno dos trabalhos no Congresso marcado para 2 de fevereiro, governo listou outras pautas urgentes além da jornada de trabalho. Entre elas, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, regulamentação do trabalho por aplicativos, PEC da Segurança Pública e o projeto de lei antifacção.



Gleisi também destacou o esforço para manter o veto do presidente Lula ao "PL da Dosimetria", que prevê redução de penas para condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Segundo a ministra, qualquer alteração nas penas seria "ruim para a democracia".

Além disso, os Três Poderes devem assinar, no dia 4 de fevereiro, um pacto nacional pelo enfrentamento ao feminicídio.



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