Costa Norte
Publicado em 10/11/2012, às 05h00 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h10
Passaportes apreendidos O relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, proibiu os 25 réus condenados de se ausentarem do país, Eles terão de entregar os passaportes ao gabinete dele, no Supremo Tribunal. A medida atende a pedido do procurador-geral da Republica, Roberto Gurgel, para evitar risco de fuga de quem tem penas altas a cumprir na prisão. O ministro Barbosa destacou, no seu despacho, que alguns dos réus se consideram acima da lei. “Alguns dos acusados vêm adotando comportamento incompatível com a condição de réus condenados e com o respeito que deveriam demonstrar para com o órgão jurisdicional perante o qual respondem por acusações de rara gravidade”, ressaltou Joaquim Barbosa.“Uns, por terem realizado viagens ao exterior nesta fase final do julgamento. Outros, por darem a impressão de serem pessoas fora do alcance da lei”, explicou. Entre os que criticaram o julgamento está, principalmente, o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, que divulgou um manifesto logo após as condenações por formação de quadrilha e corrupção ativa. A decisão de Joaquim Barbosa foi monocrática, mais poderá ser revista por outros ministros no plenário, caso haja alguma divergência. Depois de uma pausa de 12 dias para permitir que o ministro Joaquim Barbosa fosse à Alemanha, para tratamento de saúde, os ministros do Supremo continuaram, na quarta e quinta-feiras (07 e 08), a análise da dosimetria das penas dos réus condenados no processo do mensalão. Antes da pausa, o publicitário Marcos Valério havia sido condenado a 40 anos, um mês e seis dias de prisão, na quarta-feira o sócio de Marcos Valério, o empresário Ramon Hollerbach recebeu a pena total de 25 anos, 11 meses e 20 dias pelos crimes de peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Deputados e senadores do PSDB e do PPS protocolaram, na Procuradoria Geral da República, representação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o petista seja investigado como o mandante do mensalão. Os parlamentares pedem que a PGR ofereça nova denuncia ao Supremo Tribunal com base nas declarações que o empresário Marcos Valério teria dado à imprensa responsabilizando a maior estrela petista.
Mais informações políticas - O deputado Marco Maia (PT-RS), que não é bem visto pelo Palácio do Planalto, tem projetos para depois que deixar a presidência da Câmara, em fevereiro: presidir o PT ou ser ministros da ligação do governo com o Congresso Nacional, no lugar da Ideli Salvatti.
- Ciro Gomes tem afirmado que não quer disputar mais nenhum tipo de eleição, mas está costeando o alambrado da Esplanada dos Ministérios. Ele aceita ser ministro e, para isso, já declarou apoio à reeleição de Dilma Roussef.
- José Serra não quer largar o osso: já trabalha para garantir a vaga do Senado na campanha de Geraldo Alckmin para reeleição de governador paulista. Um movimento de serristas para levar José Serra à presidência do PSDB, no inicio do ano que vem, foi brecado pelos tucanos de Minas Gerais, com o argumento: agora é a vez de Aécio Neves dar as cartas.
- O deputado Vaz de Lima está sendo apontando como o provável líder da bancada do PSDB na Câmara, em 2013.
- O presidente da Câmara, deputado Marco Maia, que está em guerra com o Palácio do Planalto, anunciou que vai colocar na pauta de votações, entre os dias 19 e 23, o projeto de lei que extingue o Fator Previdenciário, que chega a subtrair até 50% do valor da aposentadoria a que o trabalhador teria direito. Há quem acredita que essa votação não vai acontecer, por pressão da presidente Dilma Rousseff, que está contra o projeto.
Eleições presidenciais já com candidatos Conhecidos os resultados das urnas e com o próximo desfecho do julgamento do mensalão, os políticos passam a fazer conjecturas sobre as eleições de 2014. Neste primeiro momento, o cenário mais provável para a disputa presidencial é o lançamento da presidente Dilma Roussef como candidata à reeleição, mantendo como companheiro de chapa o atual vice-presidente Michel Temer. Essa é a lógica levando-se em conta que o PT e o PMBD saíram das urnas com grandes vitorias. Em time que está ganhando, não se mexe, segundo o ditado futebolístico. Como candidato da oposição, certamente será o senador mineiro Aécio Neves, principalmente depois da acachapante derrota sofrida por José Serra em São Paulo. Sua primeira tarefa será liderar a articulação para substituir o comando do PSDB. Aécio está alinhado com a ideia do ex-presidente FHC de que chegou a hora dos tucanos se atualizarem com a chegada de novas lideranças. Um terceiro nome desponta como possível candidato ao Palácio do Planalto: o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, que saiu das eleições municipais como um dos maiores vitoriosos, com a conquista de prefeituras de cinco capitais e importantes cidades, como Campinas. Os contornos mais nítidos do quadro sucessórios presidencial vão aparecer no primeiro semestre de 2013. É que até lá muita água vai correr debaixo da ponte. A presidente Dilma deverá fazer uma reforma no seu ministério, para alojar o deputado Gabriel Chalita na sua equipe de governo, e também agregar a essa equipe um integrante do PSD do prefeito Gilberto Kassab. Nomeação de Chalita já fará parte da estratégia montada pelo ex-presidente Lula para tentar desalojar os tucanos do Palácio dos Bandeirantes, em 2014. O primeiro passo já foi dado: a eleição de Fernando Haddad como prefeito da cidade de São Paulo. Com a aproximação ao PSD, a presidente Dilma procura fortalecer a bancada governista na Câmara. Serão mais 48 deputados, que compensariam possíveis defecções de parlamentares governistas que se decepcionaram com os recentes resultados eleitorais. As eleições para renovação das mesas da Câmara e do Senado são fatores que também poderão mexer com o quadro eleitoral futuro. Fortalecido pelos resultados das urnas, o PSB de Eduardo Campos quer ampliar sua influência no Congresso Nacional, lançando o deputado mineiro Júlio Delgado para enfrentar o deputado potiguar Henrique Eduardo Alves, já oficializado como candidato à presidência da Câmara pelas cúpulas do PMDB e PT. Os eleitores não andam muito satisfeitos com seus parlamentares. Dos 87 deputados que entraram na corrida pelas prefeituras, apenas 25 se elegeram. Em São Paulo, foram 3 eleitos: Alberto Mourão (PSDB) em Praia Grande, Carlinhos Almeida (PT) em São José dos Campos e Jonas Donizette (PSB) em Campinas. Dos 5 senadores candidatos, nenhum foi eleito.