COLUNA Cláudio Coletti: Clamor popular: Brasil menos corrupto

Costa Norte
Publicado em 27/04/2012, às 15h03 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h00



Clamor popular: Brasil menos corrupto

No final da semana passado, em todos os Estados, milhares de brasileiros saíram às ruas para pedir um basta na corrupção. A sociedade está com expectativa otimista para o desfecho da CPI do Cachoeira no Congresso Nacional e do processo do mensalão no STF. Os computadores dos 513 deputados federais, 81 senadores e dos 11 ministros do Supremo são entupidos diariamente com mensagens de todos os pontos do país clamando por mais seriedade, mais rigor nas punições e menos corrupção nos negócios que usam recursos públicos. Enfatizam que querem ver seus impostos (hoje altíssimos) serem transformados em prestação de serviços decentes para a população e não em beneficio para uns poucos, como está demonstrado no mar de lama que acaba dar origem à CPI do Cachoeira. Este sentimento da sociedade de exigir um Brasil mais limpo foi incorporado pelo novo presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto. No seu discurso de posse – presentes a presidenta Dilma Rousseff e todas as lideranças do Congresso Nacional –, defendeu uma aproximação maior entre os poderes constituídos e a sociedade. Também pediu a todos eles mais moralidade e probidade no trato da coisa pública. E propôs um pacto entre Executivo, Legislativo e Judiciário em prol do cumprimento da Constituição. Simbolicamente, o ministro distribuiu aos presentes um exemplar atualizado da nossa Carta Magna. Para a recém empossada presidente do TSE, ministra Carmen Lúcia, o pontapé inicial para fazer o Brasil um país mais sério foi dado com a entrada em vigor da Lei da Ficha Limpa, que vai ter seus efeitos aplicados nas eleições municipais de outubro.

CPI já em ação A CPI do Cachoeira começou seus trabalhos na quarta-feira (25). Ela tem todas as chances de chegar a um bom resultado, já que foi criada com o apoio unânime dos partidos. Sua missão será investigar as relações delituosas entre o bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira com parlamentares, autoridades federais e estaduais, empresas públicas e privadas, mencionadas nas Operações Vega e Monte Carlo, que foram conduzidas pela Polícia Federal. A CPI é presidida pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e tem como relator o deputado Odair Cunha (PT-MG). É integrada por 16 senadores e 16 deputados, com igual número de suplentes. Dos 32 titulares, 25 são de partidos da base governista e apenas 7 da oposição (PSDB-DEM-PPS). O que deixa a sociedade em estado de alerta é que dos 32 titulares da CPI, 17 tem pendência com a Justiça. A primeira reunião da Comissão serviu para definir a estratégia dos trabalhos das investigações previstas para durar 180 dias, até outubro, mês das eleições municipais. Foram apresentados 160 requerimentos, a maior parte para convocação de autoridades. A presidenta declarou que ficará distante dos trabalhos da CPI, já que “é um assunto da competência do Congresso.” Mas ela, nos bastidores, fez gestões para compor a CPI um maior número de parlamentares afinados com o Palácio do Planalto. Dilma impôs ao PT a escolha do deputado Odair Cunha para relator da CPI, ao mesmo tempo que vetou para essa tarefa o deputado Cândido Vaccarezza, que tinha a preferência do ex-presidente Lula. O veto criou um clima de constrangimentos dentro da bancada petista. A CPI, já chamada “a CPI do Fim do Mundo”, na visão de cientistas políticos, tem potencial para causar estragos na base aliada e na oposição. Pelos escândalos divulgados até agora, o Palácio do Planalto terá dificuldades em abafar eventuais denúncias contra o governo federal. A Delta Engenharia, envolvida até o pescoço nas denuncias de malfeitos, é uma das construtoras com maior número de contratos de obras do PAC.