Para o atual presidente dos Estados Unidos, a atitude de matar Sulemani já deveria ter sido feita a muito tempo atrás
Marcela Guimarães e Tiago Aguiar/ Agência Brasil
Publicado em 04/01/2020, às 07h25 - Atualizado em 24/08/2020, às 06h46
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na sexta-feira, 3, que os ataques americanos contra forças do Quds, unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã, que mataram o general iraniano Qassim Suleimani, tiveram o objetivo de impedir uma guerra, não iniciar uma.
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"O que os Estados Unidos fizeram ontem deveria ter sido feito muito tempo atrás. Nós agimos na última noite para parar uma guerra, não começar uma", afirmou Trump.Durante coletiva de imprensa, o presidente americano disse que os EUA estão "prontos e preparados para atitudes necessárias" para proteger os americanos e que tem o melhor serviço de inteligência e os melhores militares "de longe".
Segundo Trump, Sulemani era "o terrorista número 1 do mundo" e estava planejando ataques contra militares e diplomatas americanos na região do conflito. "Suleimani tem feito atos de terror para desestabilizar o Oriente Médio pelos últimos 20 anos ", disse.
Trump lembrou dos ataques à embaixada americana em Bagdá no início desta semana e o da sexta-feira passada em que mais de 30 foguetes foram lançados contra uma base militar iraquiana, matando um empreiteiro a serviço dos EUA e ferindo quatro americanos e dois soldados iraquianos. O presidente atribuiu ambos à Suleimani e disse que suas operações contribuíram para conspirações terroristas em Nova Delhi e Londres.
"Por anos a Guarda Revolucionária do Irã e suas forças cruéis sob a liderança de Suleimani feriu e matou centenas de americanos, civis e servidores" e continuou lembrando de outros episódios "hoje nós lembramos e honramos as vítimas de muitas atrocidades de Sulemani, e nós temos conforto em saber que o seu reino de terror acabou".
Apesar de severas críticas a ações da Defesa iraniana, Trump ainda disse ter muito respeito à população iraniana.
Na manhã desta sexta, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, prometeu vingança. "Sua partida (de Suleimani) não acaba com a sua missão e uma forte vingança aguarda os criminosos que têm seu sangue e o sangue dos outros mártires em suas mãos", disse o líder supremo em comunicado. Ele também anunciou que o posto de Suleimani será ocupado pelo brigadeiro-general Esmail Ghaan e que a Guarda irá permanecer "inalterada". Até o momento, Ghaan era vice-comandante da força Al-Qods, responsável pelas operações estrangeiras do Irã.
Mais tarde, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã disse, pelo Twitter, que o assassinato de Qassim Suleimani como "o maior erro estratégico" dos EUA no oeste da Ásia e alertou que Washington não se livraria das consequências desse "erro de cálculo".
Depois da ação, a embaixada do país em Bagdá pediu a todos os cidadãos americanos que estão no Iraque para que saiam imediatamente do país.