Kayapós suspendem bloqueio na BR-163. Briga com o governo foi parar na justiça

Etnia cobra indenizações atrasadas e alega não ter sido consultada sobre projetos do governo em seu território

Da redação
Publicado em 27/08/2020, às 13h26 - Atualizado às 15h00

kayapós cobram pagamentos atrasados de indenizações Kayapós - br163 - Reprodução / Web


Índios kayapós suspenderam o bloqueio que mantinham na BR-163 desde semana passada. Eles vão aguardar decisão judicial, por não conseguiram um acordo com o governo.

Os kayapós cobram pagamentos atrasados de indenizações que eles recebem desde o início da pavimentação da BR, há uma década. Eles chegaram a parar a rodovia em protesto contra a falta de assistência do governo federal numa situação de pandemia - em que a etnia estava ainda mais vulnerável.

Participe dos nossos grupos ℹ📲 https://bit.ly/CNAGORA9 🕵‍♂ Informe-se, denuncie!



Esta semana os Kayapós pretendem retornar para sua aldeia para aguardar a decisão da Justiça Federal, que sai em cerca de 10 dias. Atualmente eles estão acampados no acostamento da estrada, sem bloqueá-la.

“O governo sempre enrola. Se o governo quiser parar os pagamentos, ele pode. A gente já deixou a justiça resolver. O governo pode acabar com os pagamentos mas ele não vai acabar nossa ONG”, disse o cacique Bepronti Kayapó em pronunciamento nas redes sociais, após encontro com representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai).

A ONG a que ele se referiu é o Instituto Kabu, que representa a etnia, e segundo o qual a comunidade recebeu 32 milhões de reais em uma década para financiar iniciativas de apoio aos Kayapós e projetos de sustentabilidade.



Os bloqueios na rodovia na semana passada provocaram filas de caminhões de até 30 quilômetros. A Funai pagou as indenizações atrasadas dos primeiro semestre, mas adiou a decisão sobre os pagamentos futuros, alega o instituto.

Os kayapós também dizem que não foram consultados pelo governo sobre o plano de construção da Ferrogrão, ferrovia que deverá cruzar seu território, correndo paralela à BR-163, e que tem o objetivo de ligar o Mato Grosso a portos fluviais para exportações de milho e soja.