Petistas querem usar o ‘escândalo dos vazamentos’ para inocentar Lula.
Alê Morales
Publicado em 03/07/2019, às 10h44 - Atualizado em 23/08/2020, às 19h41
O ministro da Justiça, o ex-juiz Sergio Moro, compareceu como convidado a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados para falar sobre as conversas atribuídas a ele e a membros da força-tarefa da Lava Jato vazadas pelo site The Intercept Brasil.
Recebeu elogios rasgados, homenagens, ataques raivosos e até xingamentos. Usou a mesma estratégia da audiência realizada no Senado: questionar a autenticidade do material e minimizar a importância dos diálogos. Classificou as reportagens como sensacionalismo e ironizou os ataques recebidos com frases do tipo: "Não sou eu que sou investigado por corrupção”.
No entanto, os diálogos revelados chocaram a comunidade jurídica do Brasil pois revelam combinações e estratégias e uma intimidade ‘incomum’ no processo penal brasileiro em que, culturalmente, um juiz não tem ‘intimidades’ com a acusação (promotoria) e a defesa. Não indica testemunhas, combina comportamento em audiências, direciona investigação por meio de rede social entre outras: “...Nunca mais um advogado vai entrar em uma audiência e acreditar na imparcialidade total de seu julgador. Ele vai olhar pro Juiz, pro promotor e vai pensar ‘o que será que eles combinaram?” opinou o Jornalista Alê Morales.
O que não significa que a corrupção histórica do escândalo do Mensalão (compras de votos no congresso e caixa 2 de campanhas) e depois do Petrolão do Partido dos Trabalhadores e aliados não existiu. Alias a corrupção dos governos petistas (e seus partidos aliados) em valores reais apurados em justiça foi a maior da história do Brasil. Ela esta revelada, provada e comprovada com centenas de pessoas presas, incluindo gente rica e famosa, e bilhões recuperados para os cofres públicos.
O primeiro ‘filho’ nascido do escândalo das revelações das comunicações e intimidade entre integrantes da Lava Jato é a Lei aprovada no Senado apelidada de “Lei do Abuso de Autoridade” que tem a pretensão de colocar limites éticos e de sigilo no trabalho do Ministério Público e Judiciário. Os congressistas justificam que os fins não justificam os meios, ou seja, as investigações e julgamentos devem acontecer na ‘letra’ da lei.
E pra você expectador do Opinião 2.0 o ex-juiz Moro é herói ou vilão? Os fins justificam os meios pra erradicação da corrupção do Brasil? Agindo de forma tradicional do ponto de vista do processo jurídico a Lava Jato teria atingido o mesmo resultado positivo? Qual a sua opinião?