Covid-19: Anvisa alerta sobre uso de hidroxicloroquina e cloroquina

Automedicação pode acarretar riscos para a saúde, diz órgão

Pedro Peduzzi/Agência Brasil
Publicado em 20/03/2020, às 14h29 - Atualizado em 24/08/2020, às 07h21

- Marcello Casal Jr./Agência Brasil


Preocupada com notícias veiculadas na internet, sobre medicamentos que supostamente teriam eficácia no tratamento contra o novo coronavírus (Covid-19), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma nota alertando sobre os riscos que a automedicação pode causar para a saúde.

A nota fala especificamente dos medicamentos que contêm hidroxicloroquina e cloroquina. De acordo com a agência, esses medicamentos são usados para tratamento da artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária.

“Apesar de promissores, não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento da Covid-19.



Portanto, não há recomendação da Anvisa, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus”, explica a Anvisa.

Nota Técnica sobre Cloroquina e Hidroxicloroquina:

No contexto da atual pandemia decorrente do novo Coronavírus, evidências científicas sobre o potencial uso da Cloroquina e da Hidroxicloroquina no tratamento da doença estão sendo geradas e publicadas.



No Brasil, existem tanto medicamentos à base de Cloroquina como de Hidroxicloroquina registrados. As indicações aprovadas para esses medicamentos são:

- afecções reumáticas e dermatológicas (reumatismo e problemas de pele);

- artrite reumatoide (inflamação crônica das articulações);



- artrite reumatoide juvenil (em crianças);

- lúpus eritematoso sistêmico (doença multissistêmica);

- lúpus eritematoso discoide (lúpus eritematodo da pele);



- condições dermatológicas (problemas de pele) provocadas ou agravadas pela luz solar;

- Malária (doença causada por protozoários): tratamento das crises agudas e tratamento supressivo de malária por Plasmodium vivax, P. ovale, P. malariae e cepas (linhagens) sensíveis de P. falciparum (protozoários causadores de malária). Tratamento radical da malária provocada por cepas sensíveis de P. falciparum.

Um estudo in vitro desenvolvido por pesquisadores chineses avaliou o efeito antiviral da hidroxicloroquina contra o SARS-CoV-2 em comparação com a Cloroquina. Os pesquisadores afirmam que a Hidroxicloroquina inibiu efetivamente a etapa de entrada do vírus na célula assim como estágios celulares posteriores relacionados à infecção pelo SARS-CoV-2. Esse efeito também foi observado com a Cloroquina.



Os pesquisadores também observaram que a Cloroquina e a Hidroxicloquina bloqueiam o transporte do SARS-CoV-2 entre organelas das células (endossomos e endolisossomos) o que parece ser a etapa determinante para a liberação do genoma viral nas células no caso do SARS-CoV-2 (1).

Gautret et al. conduziram um estudo clínico aberto não randomizado. Apesar de seu pequeno tamanho amostral (foram 20 pacientes tratados), os autores afirmam que essa pesquisa mostra que o tratamento com Hidroxicloroquina é significativamente associado à redução/desaparecimento da carga viral em pacientes com COVID-19 e seu efeito é reforçado pela Azitromicina (2).

De acordo com revisão sistemática, há evidência pré-clínica da eficácia e evidência de segurança do uso clínico de longa data para outras indicações, o que justifica a pesquisa clínica com a Cloroquina em pacientes com COVID-19. A conclusão dessa revisão foi que dados de segurança e dados de ensaios clínicos de maior qualidade são urgentemente necessários (3).



A Anvisa reforça que, para a inclusão de indicações terapêuticas novas em  medicamentos, é necessário conduzir estudos clínicos em uma amostra representativa de seres humanos, demonstrando a segurança e a eficácia para o uso pretendido.