A ameaça de Sérgio Reis contra o STF e o arrependimento do cantor; entenda

Cantor estaria triste, magoado e depressivo após repercussão negativa de áudio em que ele promete entregar “ordem” exigindo do presidente do Senado que aprove voto impresso e afaste todos os ministros do STF em 72 horas

Da redação
Publicado em 17/08/2021, às 10h54 - Atualizado às 11h37

CAPA - A ameaça de Sérgio Reis contra o STF e o arrependimento do cantor; entenda - Sérgio Reis / Instagram - Serjaooficial


As coisas não andam bem para o artista e ex-deputado Sérgio Reis, desde o último domingo (15) quando veio a público um áudio do intérprete de Mágoa de Boiadeiro em que ele prometia a articulação de um ultimato a instituições da República.

Dizer que a repercussão do áudio ameaçador pegou mal é chover no molhado. Em menos de 72 horas, o cantor de 81 anos foi desmentido por citados nas afirmações que fizera, perdeu parcerias musicais de peso e,  deprimido e passando mal, foi aconselhado por familiares e advogados a calar-se.

No áudio de domingo, Reis, autodeclarado bolsonarista, afirmava a um amigo que participava como articulador de uma movimentação  em que caminhoneiros, financiados por grandes produtores de soja, parariam o país a partir de 7 de setembro, data em que ordenariam o presidente do Senado Rodrigo Pacheco a instituir o voto impresso bem como afastar todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).



“Nós vamos entregar pro presidente do Senado uma intimação. Eu, os caminhoneiros e os plantadores de soja, os fortes, vamos entregar um documento assim. Vocês têm 72 horas para aprovar o voto impresso e para tirar todos os ministros do Supremo Tribunal Federal. Não é um pedido, é uma ordem. É assim que eu vou falar com o presidente do Senado”, afirma ele em um trecho do áudio.

No áudio, o artista também relata uma reunião que teria tido com o presidente Jair Bolsonaro e militares em que os teria informado da articulação e diz. "Se em 30 dias não tirarem os caras nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra. Pronto. É assim que vai ser. E a coisa tá séria".



O áudio se espalhou como rastilho de pólvora, virou notícia e chegou aos ouvidos de parlamentares e à cúpula do judiciário. Simultaneamente, ruralistas e lideranças de caminhoneiros desautorizaram as afirmações do cantor que foi deputado federal de 2015 a 2019, pelo antigo PRB, atualmente Republicanos.

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Durante a enxurrada de críticas, Sérgio Reis também perdeu parcerias artísticas de relevo. Nesta segunda-feira, Guarabyra, o célebre componente da dupla Sá e Guarabyra, anunciou que havia desistido de sua participação no próximo disco de Reis e, com ironia, sugeriu que ele fora acometido por delírios de grandeza na gravação.



“Me considero incompatível com seu posicionamento atual e infelizmente declino do convite”, anunciou Guarabyra no Twitter e ironizou. “Depois de salvar o país em setembro, em outubro Sérgio Reis será enviado ao Haiti. Resolvidas as coisas por lá, deverá seguir em novembro para o Afeganistão, caso a OTAN não tenha se mexido pra estabilizar o país até lá”.



Após o desenlace negativo, Reis teria tido uma crise de diabetes e ficado deprimido. Ângela Bavini, esposa de Reis, declarou à colunista Mônica Bergamo, da Folha, que seu marido está triste, magoado e depressivo.

Guarabyra A ameaça de Sérgio Reis contra o STF e o arrependimento do cantor; entenda (Imagem: Divulgação)

O áudio, diz ela, era destinado a um amigo e, ao ser despejado na esfera pública, fora mal-interpretado. Ela argumenta também que o artista teria sido induzido a acreditar estar em um “movimento tranquilo”.

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O cantor, diz ela, foi orientado pelos médicos a permanecer em repouso. E não dará mais entrevistas tampouco falará com amigos, por orientação de seus advogados.