Na natureza, demonstrar fragilidade pode ser fatal e, por esse motivo, os gatos aprenderam a mascarar os sinais de doenças
Redação
Publicado em 30/10/2025, às 09h10
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e do Instituto Pet Brasil, de 2023, o Brasil já soma 30,8 milhões de gatos nos lares do país e cresce a taxas superiores à população canina. Esse cenário exige atenção especial à saúde individual dos felinos.
Silenciosos, discretos e muitas vezes considerados “independentes”, os gatos são responsáveis por um dos principais desafios da medicina veterinária: identificar precocemente sinais de doenças. Por isso, obesidade, diabetes, doenças renais, distúrbios urinários, imunodeficiência felina (FIV) e leucemia felina (FeLV) avançam silenciosamente nos lares brasileiros.
O gato é um mestre em disfarçar desconfortos. Quando o responsável (tutor) percebe que algo está errado, muitas vezes, a doença já está em estágio avançado. Por isso, informação é poder e prevenção é o caminho para garantir mais qualidade de vida e longevidade aos felinos”, ressalta Stella Grell, country manager da VetFamily, organização global líder em soluções para clínicas veterinárias.
Na natureza, demonstrar fragilidade pode ser fatal e, por esse motivo, os gatos aprenderam a mascarar os sinais. Alterações no apetite ou na ingestão de água, mudanças na postura, higiene prejudicada, agressividade repentina ou vocalização excessiva, são alguns sinais sutis que devem acender um alerta.
“O responsável deve observar o comportamento rotineiro do seu felino e estar atento a cada detalhe, pois pequenas mudanças podem representar grandes problemas. Nosso papel como comunidade veterinária é oferecer conhecimento acessível e confiável para que a prevenção seja parte da rotina dos lares brasileiros e que a busca por tratamentos em tempo hábil seja uma realidade”, comenta Stella.
Plantas ornamentais como lírio, comigo-ninguém-pode, azaleia e hortênsia podem provocar desde vômitos até falência renal aguda. Alimentos comuns, como chocolate, cebola, alho, uvas e abacate, também oferecem riscos severos.
Produtos de limpeza e medicamentos de uso humano estão entre os vilões mais perigosos: uma pequena dose de paracetamol ou ibuprofeno pode ser letal para os gatos, assim como o contato com desinfetantes à base de fenol e água sanitária, que, conforme a concentração, pode causar queimaduras no trato digestório e na pele. "Conhecimento e cuidado com os detalhes evitam emergências médicas", comenta a médica-veterinária e coordenadora de marketing da VetFamily, Beatriz Alves.
Conhecer causas, sinais clínicos e formas de prevenção de doenças permite que os responsáveis tenham mais agilidade em buscar auxílio profissional:
Doença renal crônica (DRC): condição progressiva e irreversível que afeta a função dos rins. Estima-se que 30% dos felinos com mais de 15 anos desenvolvem a DRC, segundo estudo publicado pelo Centro Médico de Minnesota (EUA);
Cistite idiopática felina: inflamação da bexiga frequentemente associada ao estresse e a ambientes pouco enriquecidos;
FIV (vírus da imunodeficiência felina): doença viral conhecida como "Aids felina", que compromete o sistema imunológico dos gatos. A transmissão ocorre principalmente por mordidas profundas durante brigas entre gatos;
FeLV (leucemia felina): retrovírus que compromete o sistema imunológico e pode levar a doenças graves, como linfomas e anemias. Sua transmissão ocorre por meio de lambeduras, compartilhamento de comedouros e caixas de areia, além da transmissão vertical de mãe para filhote;
Platinosomose (doença da lagartixa): infecção hepática transmitida quando o gato caça e ingere lagartixas, podendo evoluir para cirrose e insuficiência hepática;
Diabetes mellitus: condição endócrina caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue, principalmente associada à obesidade e ao sedentarismo, podendo evoluir para graves complicações, se não tratada;
Obesidade: condição inflamatória crônica que predispõe a doenças como artrite, problemas cardíacos e diabetes.
Mais comuns, mas não menos importantes, são os cuidados com a prevenção de endo e ectoparasitas. Pulgas, ácaros e carrapatos causam alergias, dermatites e podem transmitir doenças. Vermes intestinais e protozoários provocam diarreia, anemia e desidratação, enquanto parasitas que atingem o sangue comprometem células sanguíneas. A prevenção exige protocolos regulares de antiparasitários prescritos pelo médico-veterinário, conforme o perfil e o ambiente em que vive cada paciente.
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