Espécie rara no litoral brasileiro foi localizada durante monitoramento em Ilhabela; necropsia vai investigar as causas da morte
Rhauanny Queiroz
Publicado em 04/08/2026, às 12h32
Uma pseudorca (Pseudorca crassidens) foi encontrada morta durante uma ação de monitoramento do Instituto Argonauta, no litoral norte de São Paulo. O animal foi localizado a cerca de quatro quilômetros da Ponta do Sepituba, em Ilhabela, durante atividades do Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
Segundo o Instituto Argonauta, tratava-se de uma fêmea com aproximadamente quatro metros de comprimento. Durante o resgate, a equipe constatou que o animal apresentava um apetrecho de pesca enroscado no corpo.
Após ser recolhida, a carcaça foi rebocada até a praia Grande, em São Sebastião, onde fica a Unidade de Estabilização do Instituto Argonauta. No local, teve início a necropsia para investigar as possíveis causas da morte e coletar amostras biológicas que serão encaminhadas a laboratórios especializados.
De acordo com a instituição, as análises também devem ampliar o conhecimento sobre a saúde da espécie e ajudar na identificação de fatores relacionados ao óbito. Após a conclusão dos procedimentos, a carcaça será destinada conforme os protocolos de biossegurança e a legislação ambiental vigente.
Apesar do nome popular, a pseudorca não é uma orca. A espécie pertence à família dos golfinhos (Delphinidae) e pode atingir cerca de seis metros de comprimento e pesar mais de uma tonelada.
As pseudorcas vivem em grupos sociais e alimentam-se principalmente de peixes e lulas, ocupando o topo da cadeia alimentar marinha. De distribuição cosmopolita, ocorrem em águas tropicais e subtropicais, preferencialmente em regiões oceânicas profundas, embora possam se aproximar da costa em determinadas situações.
Segundo o Instituto Argonauta, os registros da espécie no litoral brasileiro são considerados pouco frequentes, tornando cada ocorrência uma importante fonte de informações para pesquisas sobre sua biologia, distribuição e conservação.
O Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos acompanha ocorrências envolvendo aves, tartarugas e mamíferos marinhos ao longo do litoral. As informações obtidas durante os atendimentos contribuem para pesquisas científicas e para ações voltadas à conservação da fauna marinha.
De acordo com o diretor-presidente do Instituto Argonauta, Hugo Gallo Neto, cada ocorrência registrada amplia o conhecimento sobre as espécies, suas ameaças e os desafios para sua conservação, fornecendo informações que podem subsidiar pesquisas e políticas públicas voltadas à proteção dos ecossistemas marinhos.