Pesquisadores apontam que o comportamento pode estar ligado à comunicação, reprodução e eliminação de parasitas
Rhauanny Queiroz
Publicado em 30/06/2026, às 12h15
Todos os anos, durante a temporada de avistamento de baleias, no litoral de São Paulo, um comportamento costuma chamar a atenção de quem observa os gigantes do mar: os impressionantes saltos para fora da água. Além do espetáculo visual, esse movimento desperta uma dúvida comum: por que as baleias saltam?
Embora o comportamento seja conhecido há décadas, a ciência ainda busca compreender todos os motivos que levam esses mamíferos marinhos a lançar parte ou até todo o corpo para fora da água.
Pesquisadores apontam que não existe uma única resposta, e que os saltos podem cumprir diferentes funções, variando conforme a espécie, a idade do animal e o contexto em que ocorrem. Entre as espécies que costumam apresentar esse comportamento está a baleia-jubarte, uma das mais avistadas durante a migração pelo litoral paulista.
Uma das principais hipóteses é que o salto funcione como uma forma de comunicação. Ao cair sobre a superfície do mar, a baleia produz um forte estrondo e ondas que podem ser percebidos por outros indivíduos a grandes distâncias. Esse comportamento pode ajudar na interação entre mães e filhotes, na localização de outros animais, ou até na comunicação durante o período reprodutivo.
Além do salto, as baleias também utilizam batidas das nadadeiras peitorais e da cauda para produzir sons e sinais visuais.
Durante a migração para áreas de reprodução, os saltos costumam ser observados com maior frequência. Especialistas acreditam que eles possam fazer parte de demonstrações de força e vigor físico durante a disputa por parceiros, embora essa hipótese ainda seja objeto de pesquisas.
Nessa época do ano, machos costumam competir pela atenção das fêmeas, o que pode explicar o aumento de comportamentos mais intensos.
Outra hipótese estudada pelos pesquisadores é que o impacto do corpo contra a água ajude a desprender parasitas e organismos que ficam aderidos à pele das baleias. Cracas e piolhos-de-baleia, por exemplo, podem se fixar na superfície do corpo durante longos períodos. O choque provocado pelo salto pode contribuir para reduzir parte desses organismos, embora não seja suficiente para eliminá-los completamente.
Os cientistas também consideram que alguns saltos podem estar relacionados ao comportamento natural das baleias, sem uma única finalidade específica. Assim como outros mamíferos apresentam comportamentos associados à socialização, à curiosidade ou até às brincadeiras, as baleias também demonstram ações que ainda não são totalmente compreendidas.
Por isso, os pesquisadores evitam atribuir uma única explicação ao comportamento e continuam estudando a espécie para entender melhor sua comunicação e seus hábitos.
No litoral paulista, os saltos costumam ser registrados durante a temporada de migração, que ocorre entre junho e novembro, com maior concentração de avistamentos entre julho e setembro.
Além de proporcionar imagens impressionantes, esses comportamentos ajudam pesquisadores a acompanhar a presença das baleias na costa brasileira e reforçam a importância da conservação dos ambientes marinhos, para que esses animais continuem utilizando a região durante suas longas viagens.