Peixe-lua volta a aparecer em Ilhabela; afinal, ele é o peixe do apocalipse?

Segundo avistamento da espécie em pouco mais de uma semana despertou curiosidade e levantou dúvidas sobre o chamado ‘peixe do apocalipse’

Rhauanny Queiroz
Publicado em 05/08/2026, às 10h49

Espécie costuma subir após mergulhos em águas mais profundas para regular a temperatura corporal - Rafael Mesquita/Instagram/@rafa.mesquita


Pouco mais de uma semana após chamar a atenção no litoral norte de São Paulo, o peixe-lua (Mola mola) voltou a ser avistado nas águas de Ilhabela. O novo registro, feito na terça-feira (4), despertou a curiosidade de quem acompanhou as imagens, mas também gerou uma confusão: muitas pessoas passaram a chamar o animal de 'peixe do apocalipse'.

Apesar da associação feita nas redes sociais, o peixe-lua não é a espécie conhecida por esse apelido. O nome popular é atribuído ao peixe-remo (Regalecus glesne), um animal completamente diferente, que vive em águas profundas e possui corpo extremamente longo e estreito.

O peixe-lua é o peixe do apocalipse?

A resposta é não. Embora ambos sejam animais marinhos de grandes dimensões e raramente sejam vistos próximos da costa, o peixe-lua e o peixe-remo pertencem a espécies distintas e apresentam características bastante diferentes.



O peixe-lua é considerado o maior peixe ósseo do planeta e pode ultrapassar duas toneladas. Seu corpo arredondado e achatado lateralmente, aliado às nadadeiras dorsal e anal bastante desenvolvidas, faz com que seja facilmente reconhecido quando aparece próximo à superfície do mar.

Já o peixe-remo tem formato alongado, semelhante a uma fita, podendo atingir vários metros de comprimento. A espécie vive em regiões oceânicas profundas e raramente é observada viva, o que contribuiu para o surgimento de lendas e crenças populares.

De onde surgiu o apelido?

Peixe-remo (Regalecus glesne) é a espécie conhecida popularmente como ‘peixe do apocalipse’ - Imagem ilustrativa/IA

 



O peixe-remo ficou conhecido em diferentes países como 'peixe do fim do mundo' ou 'peixe do apocalipse' devido a uma antiga crença popular japonesa, segundo a qual sua aparição próxima à superfície poderia anteceder terremotos ou tsunamis.

No entanto, não existe comprovação científica de que a presença da espécie esteja relacionada à ocorrência de desastres naturais. Especialistas apontam que os registros próximos da costa podem estar associados a fatores como correntes marítimas, doenças, lesões ou mudanças nas condições do oceano.

Aparições do peixe-lua fazem parte do comportamento da espécie

No caso do peixe-lua, a presença próxima à superfície é um comportamento conhecido pelos pesquisadores.



A espécie costuma subir após mergulhos em águas mais profundas para regular a temperatura corporal e permitir que aves marinhas e pequenos peixes removam parasitas da pele, um processo conhecido como limpeza natural.

Apesar do porte impressionante, o peixe-lua tem comportamento pacífico, alimenta-se principalmente de águas-vivas e outros organismos gelatinosos e não representa risco às pessoas.

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