Após dar à luz, as jubartes iniciam uma viagem de milhares de quilômetros até a Antártica, para se alimentarem e completarem seu ciclo de vida
Rhauanny Queiroz
Publicado em 25/07/2026, às 13h56
Todos os anos, entre junho e novembro, as baleias-jubarte transformam o litoral brasileiro em um verdadeiro espetáculo da natureza. Os saltos, batidas de cauda e a presença desses gigantes marinhos atraem turistas, pesquisadores e apaixonados pela vida marinha.
Mas, quando a temporada chega ao fim, uma pergunta desperta a curiosidade de muita gente: para aonde elas vão depois de deixar o Brasil?
A resposta faz parte de um ciclo migratório que se repete há milhares de anos. Depois do período de reprodução e do nascimento dos filhotes em águas tropicais, as jubartes iniciam uma longa viagem rumo à Antártica, onde encontram alimento em abundância para recuperar a energia perdida durante os meses em que permaneceram na costa brasileira.
O litoral brasileiro não é o principal local de alimentação das baleias-jubarte. Elas deixam as águas geladas da Antártica durante o inverno para buscar regiões mais quentes, como o Banco dos Abrolhos, no sul da Bahia, e outros trechos da costa brasileira, onde encontram condições ideais para o acasalamento, nascimento dos filhotes e os primeiros meses de vida das crias.
As águas mornas oferecem mais segurança aos recém-nascidos, que ainda não possuem uma camada de gordura suficiente para enfrentarem as baixas temperaturas das regiões polares.
Durante esse período, as mães amamentam os filhotes com um leite extremamente rico em gordura, enquanto os machos disputam as fêmeas e utilizam os famosos cantos para atrair parceiras e se comunicar.
Quando os filhotes já estão maiores e mais resistentes, chega o momento de iniciar a viagem de volta. O destino é a Antártica, onde as águas frias concentram enormes quantidades de krill, pequenos crustáceos que representam a principal fonte de alimento das baleias-jubarte. Também fazem parte da dieta pequenos peixes encontrados na região.
Durante a permanência no Brasil, as jubartes praticamente não se alimentam. Elas sobrevivem utilizando a gordura acumulada durante o período em que estiveram nas áreas de alimentação da Antártica. Por isso, retornar ao sul é fundamental para recuperar essas reservas e garantir energia para a próxima migração.
A jornada entre as áreas de alimentação e reprodução está entre as maiores migrações feitas por mamíferos. As baleias-jubarte percorrem cerca de 4,5 mil quilômetros entre a Antártica e o litoral brasileiro. Considerando a ida e a volta, o percurso pode ultrapassar 9 mil quilômetros ao longo de um único ciclo migratório.
Mesmo viajando por grandes distâncias, esses animais retornam ano após ano às mesmas áreas de reprodução, repetindo uma rota percorrida por gerações.
Para os filhotes nascidos no Brasil, essa também é a primeira grande aventura da vida. Antes de seguirem para a Antártica, eles passam alguns meses ao lado das mães nas águas brasileiras, período essencial para ganhar peso e desenvolver a espessa camada de gordura que ajudará a protegê-los das baixas temperaturas do oceano Austral.
Durante toda a migração, as mães permanecem próximas dos filhotes, guiando a travessia até as áreas de alimentação, onde eles começam a aprender comportamentos importantes para a sobrevivência.
Depois de meses se alimentando na Antártica, as baleias-jubarte iniciam novamente a migração para o litoral brasileiro, quando o inverno se aproxima no Hemisfério Sul. Esse ciclo anual conecta as águas geladas da Antártica ao litoral brasileiro e faz parte da história natural da espécie.