Registro foi feito nas proximidades da ilha dos Porcos, em Ubatuba, e demonstra que o inverno favorece a permanência de grandes animais marinhos na região
Redação
Publicado em 03/07/2026, às 13h17
Um tubarão-baleia foi avistado na quinta-feira (2), nas proximidades da ilha dos Porcos, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. O encontro com o maior peixe do mundo chamou a atenção de moradores e turistas, e ocorre justamente durante o período em que a costa paulista registra maior presença de grandes espécies marinhas, como baleias, golfinhos e, ocasionalmente, tubarões-baleia.
Apesar do tamanho impressionante, que pode ultrapassar 12 metros de comprimento e, em casos excepcionais, chegar a cerca de 20 metros, o tubarão-baleia (Rhincodon typus) é um animal dócil. A espécie se alimenta por filtração, capturando plâncton, ovos de peixes, pequenos peixes e outros organismos microscópicos presentes na água, e não oferece risco às pessoas.
Sua coloração cinza com manchas e listras brancas é única para cada indivíduo, e funciona como uma 'impressão digital' utilizada por pesquisadores na identificação dos animais.
O inverno costuma favorecer o avistamento de grandes animais marinhos no litoral norte paulista por diferentes fatores. Nesta época do ano, a circulação das correntes oceânicas e o fenômeno da ressurgência levam águas mais frias e ricas em nutrientes para regiões próximas da costa.
Esse processo aumenta a produtividade marinha e favorece a concentração de plâncton, principal alimento do tubarão-baleia. Onde há mais alimento disponível, aumentam as chances de a espécie passar pela região.
Além disso, entre junho e setembro, o litoral norte também recebe a migração das baleias-jubarte, o que faz crescer o número de embarcações voltadas ao turismo de observação. Com mais pessoas navegando, também aumenta a probabilidade de registros ocasionais de outras espécies de grande porte.
Embora habite águas tropicais e subtropicais ao redor do mundo, o tubarão-baleia costuma viver em mar aberto. Por isso, registros próximos ao litoral são considerados incomuns, mas podem ocorrer quando o animal acompanha áreas com maior disponibilidade de alimento.
Especialistas destacam que, ao encontrar um tubarão-baleia, a recomendação é manter distância, evitar perseguições com embarcações e não tentar tocar ou alimentar o animal, permitindo que ele siga seu deslocamento naturalmente.
O tubarão-baleia é classificado como vulnerável à extinção e enfrenta ameaças como colisões com embarcações, pesca acidental, poluição marinha e degradação de habitats. Por isso, cada novo registro ajuda pesquisadores a compreender melhor sua distribuição e seus padrões de deslocamento.