Gavião asa-de-telha pode 'trabalhar' em aeroportos e ser criado como animal doméstico

Veterinário Danilo Sato detalha o comportamento da ave de rapina e alerta sobre a exigência de licença ambiental para a criação doméstica

Redação
Publicado em 06/07/2026, às 14h26

Espécie chama a atenção pela coloração avermelhada das asas - Oti Benitez/Pexels


Olhar para o alto e flagrar um predador imponente no topo de um prédio ou poste deixou de ser uma cena rara. Atraídos pela oferta de alimento, os gaviões estão cada vez mais adaptados à área urbana.

Para explorar o comportamento de uma das espécies mais comuns nesse cenário, o veterinário Danilo Sato dedicou o quadro É Pet?, da TV Cultura Litoral, ao gavião asa-de-telha. Durante o programa, o apresentador revelou como essa ave de rapina atua na segurança da aviação e explicou as regras para quem deseja tê-la como animal de estimação.

A presença frequente nas cidades não é uma invasão, mas sim, uma adaptação estimulada pela grande disponibilidade de presas urbanas, como pombos, pequenos roedores e lagartos. A espécie, que atinge cerca de 50 centímetros de comprimento, recebe o nome popular devido à coloração avermelhada das asas, semelhante ao tom de uma telha de barro.



Apesar de ser um predador de topo, o asa-de-telha pode integrar o convívio doméstico. No entanto, o veterinário alerta que a posse exige experiência prévia na criação de aves e rigor com a legislação.

O animal deve ser obrigatoriamente adquirido em criadouros autorizados. A captura na natureza ou o resgate por conta própria no meio urbano configuram crime ambiental. Em cativeiro, a rotina de cuidados demanda uma dieta estrita à base de pequenos mamíferos e outras aves, além de um viveiro amplo e um poleiro forrado adequadamente.

Falcoaria e segurança em aeroportos

Além da popularidade como pet exótico, a espécie exerce um papel fundamental na segurança da aviação. A ave é treinada por meio de técnicas de falcoaria para atuar como 'animal de serviço' no controle de risco aviário em aeroportos.



O objetivo da ação é afugentar pombos, urubus e outras espécies das pistas, reduzindo o risco de colisões trágicas com as aeronaves. O processo envolve condicionamento e voos controlados, garantindo que o gavião sempre retorne ao braço do treinador após a patrulha.

O apresentador orienta a população sobre como agir ao encontrar a espécie perdida ou ferida nas ruas. A recomendação é não tentar capturar ou abater a ave. O morador deve acionar imediatamente a Guarda Civil Ambiental ou a Polícia Militar Ambiental, para que os agentes efetuem o resgate e a destinação correta.

*Com informações do apresentador e veterinário Danilo Sato, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral.



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