Falsa coral troca árvore por areia para 'tomar Sol' na praia de Itaguaré

Espécie com hábito de viver em árvores surpreendeu ao ser vista na praia; animal usa cores fortes para parecer perigoso, mas não possui veneno

Mayumi Kitamura
Publicado em 11/04/2026, às 10h12

Siphlophis pulcher possui coloração exuberante que imita a cobra coral verdadeira - Daniel Nicodemo Donadio


A praia de Itaguaré, área preservada dentro do Parque Estadual Restinga de Bertioga (Perb), serviu de palco para um encontro raro na manhã de quinta-feira (9). Uma falsa coral, aparentemente da espécie Siphlophis pulcher, com hábito de viver em árvores, foi encontrada na faixa de areia da orla.

O flagrante é do biólogo marinho Daniel Nicodemo Donadio, que caminhava na praia com um amigo, para observar aves limícolas, econtradas na costa, quando avistou o réptil. O bicho repousava na área exata do limite da maré, conforme contou ao portal Costa Norte.

"Estava numa zona de areia acinzentada, que deu para ver que foi onde a última maré cheia passou. A areia estava lisinha", detalha Daniel.



Foto: Daniel Nicodemo Donadio

 

A cobra não possui veneno e pertence ao grupo dos colubrídeos. O biólogo explica que a coloração vibrante funciona como uma tática de defesa para o animal.

O padrão de coloração engana, faz parecer perigosa. É associado a um mimetismo", afirma.

Espanto e raridade

O encontro foge da rotina da espécie. "Ela tem hábito arborícola, então, não é comum ver essa espécie, em específico, no chão", explica Daniel. Ele aponta que o réptil desce à areia da praia, de forma rara, para tomar Sol e aumentar o metabolismo, o que facilita a digestão após a ingestão de alguma presa.



O registro fotográfico impressionou pelo caráter inusitado do encontro.

Segurança

Apesar de a praia de Itaguaré ser reservada, ela é aberta a visitação, e o trecho de areia dura atrai pessoas de bicicleta, o que gerou risco iminente para a falsa coral.

"Como a cobra é um bicho que tem muito mito em cima, eu não duvido que alguém tentasse passar com o pneu da bicicleta de maldade", pontua Daniel.



Para proteger o animal, a dupla de observadores improvisou a retirada. "A gente utilizou um 'gravetão' para conter o animal, como se fosse um gancho herpetológico, para manusear serpente, e o encaminhamos mais para a borda da vegetação da restinga", conta o biólogo. 



Bertioga

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