Cica pode ser fatal para pets; entenda os riscos que a planta provoca

Morte de labrador que se preparava para ser cão-guia chama atenção para os perigos da espécie ornamental presente em muitos jardins

Rhauanny Queiroz
Publicado em 17/07/2026, às 12h35

Conhecida também como palmeira-sagu, a cica é considerada uma das plantas ornamentais mais tóxicas - Pexels


A morte do labrador Atlas, de 1 ano, após ingerir a semente de uma cica durante um passeio em  condomínio de Sorocaba, interior de São Paulo, acendeu alerta para um risco desconhecido por muitos tutores.

Prestes a iniciar o treinamento para se tornar um cão-guia, o animal não resistiu à intoxicação provocada pela planta ornamental, considerada uma das mais perigosas para cães e gatos.

Comum em jardins, condomínios, praças e áreas de paisagismo, a cica, também conhecida como palmeira-sagu (Cycas revoluta), costuma ser escolhida pela resistência e pelo aspecto ornamental.



O que muitos não sabem é que todas as partes da planta são tóxicas para os animais de estimação, principalmente as sementes e as raízes, que concentram maior quantidade de substâncias capazes de provocar lesões graves no organismo.

Segundo informações da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás (UFG), a intoxicação por cica pode atingir diferentes espécies de animais, mas os cães estão entre as principais vítimas. Estudos citados pela instituição apontam que cerca de 95% dos cães que ingerem partes da planta desenvolvem alterações no fígado e no trato gastrointestinal.

Por que a cica é tão perigosa?

Embora seja bastante utilizada no paisagismo, a cica representa um risco significativo para cães e gatos. As toxinas presentes na planta afetam principalmente o fígado, mas também podem comprometer o sistema digestivo e o sistema nervoso.



Mesmo uma pequena quantidade ingerida pode provocar intoxicação. Em casos mais graves, as lesões hepáticas podem evoluir rapidamente e colocar a vida do animal em risco.

Quais são os sintomas da intoxicação?

Os primeiros sinais costumam surgir poucas horas após a ingestão da planta. Entre os sintomas mais comuns estão:

Nos casos mais graves, a intoxicação pode provocar insuficiência hepática, alterações na coagulação do sangue, coma e levar o animal à morte.



De acordo com estudos reunidos pela UFG, mesmo quando o pet recebe atendimento veterinário, a taxa de mortalidade descrita na literatura varia entre 30% e 50%, dependendo da gravidade do quadro e da quantidade de toxina ingerida.

Filhotes são os mais vulneráveis

Grande parte dos casos registrados envolve animais jovens. Segundo pesquisadores, filhotes costumam explorar o ambiente utilizando a boca e apresentam maior tendência a mastigar folhas, sementes e outros objetos durante a fase de troca da dentição.

Foi justamente esse comportamento natural que contribuiu para o acidente envolvendo Atlas. Durante um passeio pelo condomínio, o labrador encontrou uma semente de cica caída no chão e a ingeriu. Em menos de uma hora, começaram os primeiros sintomas de intoxicação.



O cachorro foi levado para um hospital veterinário, onde passou por lavagem gástrica e permaneceu internado por cerca de dez dias. Apesar dos esforços da equipe médica, ele não resistiu às complicações causadas pela planta.

O que fazer se o pet ingerir a planta?

Ao suspeitar que um cão ou gato ingeriu qualquer parte da cica, a recomendação é procurar atendimento veterinário imediatamente. Quanto mais rápido o animal receber assistência, maiores são as chances de reduzir os danos causados pelas toxinas.

Também é importante, se possível, levar uma foto da planta ou uma amostra para auxiliar na identificação da espécie. Especialistas orientam que o tutor não tente provocar vômito nem ofereça medicamentos por conta própria, já que essas medidas podem agravar o quadro.



Como prevenir acidentes

A melhor forma de evitar intoxicações é conhecer as plantas presentes em casa e nos locais frequentados pelos animais. Jardins, quintais e áreas comuns de condomínios podem abrigar espécies potencialmente perigosas sem qualquer tipo de identificação.

Especialistas recomendam retirar plantas tóxicas de ambientes onde vivem cães e gatos ou impedir o acesso dos animais a essas espécies. Outra orientação é recolher sementes e folhas caídas no chão e redobrar a atenção durante os passeios.

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