Veículos populares e fora de produção são os principais alvos de criminosos no país; levantamento mostra impacto da falta de peças originais
Redação
Publicado em 21/09/2026, às 11h29
O roubo e o furto de veículos continuam entre os principais riscos patrimoniais enfrentados pelos motoristas brasileiros, mesmo após a redução das ocorrências no país.
Em 2025, o Brasil registrou 308.440 roubos e furtos de veículos, o equivalente a cerca de 845 casos por dia. O volume representa queda de 14,3% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 345.503 ocorrências.
Do total registrado no ano passado, 203.949 casos foram furtos e 104.491, roubos. A redução ocorreu em ritmos diferentes. Os roubos recuaram 20,6%, enquanto os furtos diminuíram 10,6%. Com isso, a subtração de veículos sem abordagem direta à vítima continua representando uma parcela importante das ocorrências.
Além dos números gerais, os modelos mais atingidos também ajudam a entender o cenário enfrentado pelos motoristas. Um levantamento da Loovi Seguros, com dados da própria base da empresa referentes ao primeiro semestre de 2026, aponta os dez carros que constam com maior frequência em registros de roubo e furto.
O primeiro colocado é o Ford Ka, seguido pelo Chevrolet Onix em segundo lugar e com o clássico Volkswagen Gol em terceiro. Na sequência vêm Hyundai HB20; Renault Sandero; Fiat Argo; Renault Logan; Fiat Uno; Fiat Pálio e Volkswagen Voyage.
A frequência de um modelo nas ocorrências não significa, necessariamente, que todos os veículos daquela linha tenham o mesmo nível de risco. A exposição pode variar de acordo com fatores como quantidade de unidades em circulação, região, perfil de utilização, valor do automóvel e procura por peças no mercado de reposição.
A demanda por componentes também pode influenciar a ocorrência de furtos. Modelos mais antigos, ou que deixaram de ser produzidos, podem ter características diferentes no mercado de peças, especialmente quando há maior procura por determinados componentes.
Um exemplo é o Ford Ka, cuja fabricação nacional foi encerrada após o fechamento das fábricas da Ford no Brasil. O modelo surge no primeiro lugar do levantamento elaborado com os dados da empresa.
Os números nacionais de 2025 também mostram uma diferença entre os dois tipos de ocorrência. Enquanto os roubos envolvem abordagem direta à vítima, os furtos ocorrem sem esse contato.
A queda de 20,6% nos roubos foi superior à redução de 10,6% registrada nos furtos. Mesmo com a diminuição geral, mais de 200 mil furtos de veículos foram contabilizados no país ao longo de 2025.
Para o motorista, os dados reforçam que o risco não está distribuído de maneira uniforme entre os diferentes modelos. A localização onde o veículo circula, os hábitos de uso e as características do próprio automóvel podem interferir na exposição.
Outro dado apresentado no levantamento é a quantidade de veículos protegidos por seguro no país. No fim de 2025, apenas 30% dos veículos brasileiros possuíam seguro. Entre os automóveis, a cobertura chegava a 27,8% da frota.
Isso significa que a maior parte dos veículos em circulação não contava com esse tipo de proteção. Nesse contexto, os índices de roubo e furto podem ser considerados pelos proprietários na avaliação dos riscos relacionados ao automóvel e na escolha de medidas de proteção.
Segundo Quézide Cunha, CEO da Loovi, conhecer os modelos mais atingidos pode contribuir para que o consumidor tenha mais informações ao avaliar a compra de um veículo e as opções de proteção disponíveis.
“O desafio do setor não é apenas indenizar quando alguma coisa acontece. Levar conhecimento sobre riscos e informar o consumidor sobre soluções que muitos desconhecem é fundamental diante de um cenário com alto risco para o motorista”, afirma.
O levantamento considera exclusivamente os registros presentes na base da empresa no primeiro semestre de 2026. Já os dados nacionais de roubos e furtos citados no estudo correspondem ao ano de 2025.