A cantiga diz que o sapo mora na lagoa, tem chulé e não é muito fã de banho; pesquisador do Butantan desvendou as principais lendas da canção
Redação
Publicado em 16/05/2025, às 09h37
“O sapo não lava o pé, não lava porque não quer; ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer. Mas que chulé”! Será mesmo que a situação que a divertida cantiga, que encanta gerações brasileiras, descreve faz sentido do ponto de vista da biologia? Bem, o Instituto Butantan resolveu tirar a dúvida.
O pesquisador científico Carlos Jared, especialista em biologia e história natural de anfíbios e répteis e diretor do Laboratório de Biologia Estrutural do Instituto Butantan, desvendou as principais lendas da cantiga, destacando o que faz sentido de acordo com a ciência, sem invalidar o que faz parte da boa e velha brincadeira.
O instituto explica, primeiramente, que sapo, rã e perereca são animais diferentes e que a rã não é a “mulher” do sapo, como muitos acreditam. “Os sapos têm a pele mais seca e preferem ficar na terra. As rãs podem ser macho ou fêmea e gostam de ficar perto de lagoas, assim como as pererecas, que costumam viver em árvores e escalar paredes por terem discos adesivos na ponta dos dedos”, esclareceu Jared.
Não é bem assim. Os sapos, rãs e pererecas não bebem água, mas precisam dela no corpo inteiro para sobreviver. Os sapos sugam água em forma líquida ou da terra e de galhos pela região inguinal (abaixo da barriga) para se manterem hidratados e com o metabolismo funcionando bem. Apesar de viverem em ambientes mais secos, os sapos precisam se hidratar constantemente para evitar uma considerável perda de água, o que pode colocar a sua vida em risco.
Em áreas residenciais, alguns sapos, rãs e pererecas se mantêm próximos a poças de água de chuva, de banheiros ou da água que se acumula próxima da máquina de lavar. Portanto, se você vir algum exemplar deles na sua casa, é bem capaz que estejam sugando água pela pele da barriga, para não ressecar.
Não necessariamente. Os sapos, rãs e pererecas começam sua vida como animais aquáticos: eles assumem a forma de girinos na primeira fase da vida, quando os ovos das fêmeas eclodem dentro d’água. Assim que ganham patas, saem da lagoa e começam a explorar seus arredores. Como são bem mais terrestres, os sapos só retornam para a lagoa já adultos, para encontrar as fêmeas na época da reprodução.
No geral, os sapos vivem sozinhos em áreas abertas e de grama baixa, onde preferem procurar comida à noite, pois o “prato preferido” são os insetos. E, são as rãs (machos e fêmeas) as verdadeiras “moradoras da lagoa”. Elas passam mais tempo na água, e geralmente ficam mais próximas de fontes aquosas. É isso que mantém a pele delas com aspecto úmido, viscoso e brilhante. As patas traseiras alongadas permitem que as rãs nadem e deem saltos maiores. Se você tentar chegar perto de uma rã, ela tentará fugir aos pulos até chegar no lago mais próximo.
A verdade é que a maioria dos sapos não exala odores. Por outro lado, algumas espécies do gênero Rhinella, conhecidos como sapos-cururu, podem exalar um veneno de cheiro ruim ao ser manipulado. Esse cheiro impregnante serve para afugentar os seus predadores, como as serpentes.
Essas espécies malcheirosas usam o fenômeno da impalatabilidade para se defender. Esse nome complicado significa somente que um animal não é “palatável” ou não é agradável de comer. Em geral, esse cheiro é semelhante ao dos percevejos-verdes (Nezara viridula), mais conhecidos como “maria-fedida”, justamente por exalarem um forte odor.
Com informações de Instituto Butantan
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